Thiago Ávila, ativista sequestrado e torturado por Israel, é atacado por “sionista católico” em SP

Thiago Ávila, ativista sequestrado e torturado por Israel, é atacado por “sionista católico” em SP
Thiago Ávila é atacado por sionista em SP - Fotos: Reprodução/Ilia YEFIMOVICH/AFP

O ativista da causa palestina Thiago Ávila, candidato a deputado federal por São Paulo pela Rede Sustentabilidade, foi atacado por um homem durante um ato de campanha na capital paulista.
Em vídeo publicado por Ávila nesta segunda-feira (24), o homem se apresenta como “católico”, apesar de disseminar discurso sionista, confronta o ativista por sua atuação em defesa da Palestina e chega a defender que sejam jogadas “mais bombas” sobre a Faixa de Gaza.
“Vagabundo!”, gritava o homem ao abordar Thiago Ávila e sua equipe.
Veja vídeo:
https://x.com/thiagoavilabr/status/2091738030210007293
O episódio ocorre em plena campanha eleitoral. Ávila disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pela Rede, dentro da Federação PSOL-Rede Sua candidatura já vinha provocando reações de setores alinhados a Israel. O comitê de campanha do ativista fica em Higienópolis, bairro da região central de São Paulo que abriga uma importante comunidade judaica.
Na última semana, a localização ganhou repercussão após a revelação de que o espaço fica a cerca de um quilômetro do comitê da vereadora Cris Monteiro (Novo), candidata a deputada federal e uma das principais vozes pró-Israel na política paulistana.
Sequestrado por Israel
A defesa da Palestina é um dos principais eixos da trajetória política de Thiago Ávila. Nos últimos anos, ele participou de missões internacionais para tentar romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza e levar ajuda humanitária à população palestina.
Em junho de 2025, Ávila estava no Madleen, embarcação da Flotilha da Liberdade que levava alimentos, medicamentos e outros suprimentos para Gaza. Também participavam da missão a ativista Greta Thunberg e a eurodeputada franco-palestina Rima Hassan.
O barco foi interceptado por forças israelenses em águas internacionais. Ávila foi detido, iniciou uma greve de fome e chegou a ser colocado em uma cela solitária antes de ser deportado.
No final de abril de 2026, voltou a ser sequestrado durante uma nova missão, desta vez da Global Sumud Flotilla. Ávila e o ativista palestino-espanhol Saif Abu Keshek foram levados para Israel, enquanto a maior parte dos demais integrantes da flotilha foi encaminhada à Grécia.
Os governos do Brasil e da Espanha classificaram a captura como ilegal e exigiram a libertação dos ativistas. À época, como mostrou a Fórum, Ávila chegou a correr o risco de responder a acusações relacionadas a terrorismo, o que ele e sua defesa negaram.
Relatos de tortura
Após dez dias sob custódia israelense, Ávila foi libertado e deportado. Na volta ao Brasil, relatou ter sofrido agressões físicas e psicológicas.
Segundo o ativista, durante boa parte da prisão permaneceu vendado, algemado e isolado. Disse ainda ter desmaiado duas vezes em consequência das agressões.
A organização de direitos humanos Adalah, que o representou juridicamente em Israel, também denunciou isolamento, interrogatórios prolongados, privação de sono e ameaças.
“Eles diziam diretamente que queriam me matar, me deixar 100 anos preso e que iriam se livrar de mim o quanto antes”, relatou Ávila.
Israel rejeitou as acusações de tortura e afirmou que os procedimentos adotados durante a detenção estavam de acordo com sua legislação.
É nesse contexto que ganha dimensão a defesa de “jogar mais bombas” sobre Gaza feita pelo homem que abordou Ávila durante sua atividade de campanha em São Paulo.
Mesmo após o cessar-fogo firmado em outubro de 2025, ataques israelenses continuaram sendo registrados na Faixa de Gaza. Em agosto, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) voltou a classificar a situação humanitária no território palestino como crítica.
Em junho de 2026, a Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU afirmou que autoridades e forças israelenses continuavam cometendo genocídio e outros crimes contra a população palestina em Gaza.

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