A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), autora da PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, desafiou nesta segunda-feira (24) o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para um debate público sobre a proposta, por meio de publicações no X e no Instagram. O movimento ocorre após reportagens apontarem que Flávio e aliados atuam para impedir a votação da matéria no Senado antes do primeiro turno das eleições, em outubro, com o objetivo de evitar um ganho político para o presidente Lula.
O desafio de Erika Hilton
“Frente às notícias de que Flávio Bolsonaro e sua trupe trabalham nos bastidores pra impedir o avanço da nossa PEC, estou desafiando-o para um debate público. Vai aceitar ou vai passar mal, @FlavioBolsonaro?”, escreveu Erika no X.
No Instagram, a parlamentar foi além e publicou uma carta aberta ao senador, argumentando que um candidato à Presidência não pode tratar sua posição sobre direitos trabalhistas como assunto de corredor.
“Isso deve ser uma posição pública, não algo dito nos bastidores da política”, afirmou Erika na carta. A deputada ainda reservou ao senador o direito de escolher data, local e horário do encontro, declarando-se “pronta para derrotá-lo” e reforçando que “o convite é intransferível”.
A motivação explícita para o desafio são as informações de que Flávio Bolsonaro teria mobilizado aliados no Senado para impedir o avanço da PEC. Para Erika, um presidenciável que age para sufocar a proposta nos bastidores tem obrigação de defender essa posição em público.
https://www.instagram.com/hilton_erika/p/DccK7MtGAeM/?hl=pt
A manobra de Flávio Bolsonaro e aliados
À frente da ofensiva contra a PEC está o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Conforme mostrou a Fórum, a estratégia inclui pedidos de vista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), apresentação de emendas ao texto e a proposição de uma PEC alternativa, com o objetivo de consumir o tempo disponível e impedir que a proposta chegue ao plenário do Senado antes das eleições.
O discurso público dos aliados de Flávio evita atacar diretamente o mérito da proposta. A justificativa apresentada para o adiamento é a necessidade de aprofundar o debate e evitar uma suposta “contaminação política” provocada pelo calendário eleitoral, argumento que chama atenção porque vários dos parlamentares que hoje defendem o adiamento votaram favoravelmente à medida quando ela passou pela Câmara. O próprio Marinho afirmou não ver “tempo hábil” para a aprovação antes das eleições caso os prazos regimentais sejam cumpridos. A coordenadora econômica da campanha de Flávio, Daniella Marques, foi mais direta: classificou o debate sobre o fim da escala 6×1 como “populista e inócuo”.
Contexto político e impacto imediato
A PEC já foi aprovada pela Câmara em maio, por 461 votos a 19, com texto que reduz a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso remunerado e prevê transição sem redução salarial. Para avançar sem precisar retornar aos deputados, o Senado precisa manter exatamente o mesmo texto.
O fim da escala 6×1 tornou-se uma das principais bandeiras do presidente Lula na campanha deste ano. Flávio Bolsonaro, por sua vez, não incluiu compromisso com a medida em seu plano de governo, apresentado em 13 de agosto, optando por defender maior liberdade e flexibilidade nas relações de trabalho. A disputa, portanto, não é apenas regimental: reflete posições opostas sobre o papel do Estado na proteção dos trabalhadores.
A tramitação ganhou novo fôlego após a reaproximação entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que destravou a pauta e abriu caminho para a análise da proposta na semana de esforço concentrado de 31 de agosto a 3 de setembro. O relator da matéria no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), anunciou que pretende apresentar seu parecer na quinta-feira (27), com expectativa de votação na CCJ na semana seguinte. O calendário, porém, é estreito: o Congresso terá apenas essa janela de votações antes do primeiro turno, em 4 de outubro, o que torna cada manobra regimental da oposição diretamente proporcional ao risco de a proposta não ser votada a tempo.
Erika Hilton desafia Flávio Bolsonaro para debate sobre fim da escala 6×1: “Vai aceitar ou passar mal?”
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