Eleições 2026: a lista dos 10 maiores doadores de campanha até agora e os candidatos beneficiados

Eleições 2026: a lista dos 10 maiores doadores de campanha até agora e os candidatos beneficiados
Eleições 2026: a lista dos 10 maiores doadores de campanha até agora e os candidatos beneficiados 1

Dez pessoas físicas concentram R$ 9,035 milhões em doações eleitorais nas eleições de 2026. O levantamento exclusivo foi feito pelo Fórum Investiga, núcleo de jornalismo investigativo da Fórum, a partir dos arquivos oficiais de prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e mostra não apenas quem colocou mais dinheiro na campanha até agora, mas também quem se beneficiou desses recursos.
O recorte considera os dados processados até 24 de agosto e separa as doações feitas por terceiros dos recursos que os próprios candidatos colocaram em suas campanhas. Entre os integrantes do top 10, R$ 5,685 milhões foram transferidos diretamente a candidatos e outros R$ 3,35 milhões chegaram a diretórios partidários.
O maior doador até o momento é Alexandre Grendene Bartelle, cofundador da fabricante de calçados Grendene. Ele já desembolsou R$ 3 milhões: R$ 2,5 milhões foram para Luciano Zucco (PL-RS), candidato ao governo do Rio Grande do Sul, e R$ 500 mil para Ciro Gomes (PSDB-CE), que disputa o governo do Ceará.
Na segunda posição aparece Fabiano Augusto Martins Silveira, advogado e ex-ministro da Transparência no governo Michel Temer. Silveira fez uma transferência de R$ 2 milhões ao diretório estadual do MDB na Paraíba. Nesse caso, o beneficiário registrado na prestação de contas é o partido, e não uma candidatura específica.
As receitas informadas por candidatos e partidos podem ser consultadas no DivulgaCandContas, sistema oficial do TSE.
Os 10 maiores doadores de campanha já movimentaram R$ 9,035 milhões nas eleições de 2026. Levantamento da Fórum com dados do TSE processados até 24 de agosto.
PL concentra 73% do dinheiro enviado diretamente a candidatos
Quando o dinheiro destinado aos diretórios é retirado da conta e entram apenas os R$ 5,685 milhões que chegaram diretamente às candidaturas, a concentração partidária fica evidente.
Candidatos do PL receberam R$ 4,15 milhões dos dez maiores doadores. O montante corresponde a aproximadamente 73% de todas as transferências diretas a candidatos feitas pelo grupo.
Grande parte dessa vantagem vem do aporte de Grendene a Luciano Zucco. Os R$ 2,5 milhões destinados ao candidato gaúcho representam, sozinhos, mais de 60% de tudo o que os candidatos do PL receberam dos integrantes do top 10.
Outro nome que ajuda a elevar a participação da sigla é Flávio Roscoe (PL-MG). O candidato recebeu R$ 1,4 milhão de três doadores diferentes: R$ 500 mil de Ailton Ricaldoni Lobo, R$ 500 mil de Robert Carlos Lyra e R$ 400 mil de Marcos Alberto Cabaleiro Fernandez.
Mendonça Filho (PL-PE) completa o total destinado às candidaturas da legenda, com R$ 250 mil repassados por Sergio Viana Moura.
Depois do PL, a distância é grande. PSD e PSDB receberam R$ 500 mil cada em doações diretas dos dez maiores financiadores. No PSD, todo o valor foi destinado a Mateus Simões, em Minas Gerais. No PSDB, os R$ 500 mil foram para Ciro Gomes, no Ceará.
O Republicanos aparece com R$ 275 mil destinados a Augusto Coutinho; o PT, com R$ 200 mil para Edinho Silva; e o PP, com R$ 60 mil transferidos diretamente a Danilo Forte.
R$ 3,35 milhões foram parar primeiro nos caixas dos partidos
O ranking também mostra que uma parcela expressiva das grandes doações não chegou inicialmente a uma candidatura nominal. Dos R$ 9,035 milhões movimentados pelo top 10, R$ 3,35 milhões — mais de um terço do total — foram destinados diretamente a estruturas partidárias.
O maior aporte desse tipo são os R$ 2 milhões de Fabiano Silveira ao MDB da Paraíba. José Antonio Miguel Neto colocou outros R$ 500 mil no União Brasil do Rio Grande do Norte.
O Novo de Pernambuco recebeu R$ 500 mil de dois nomes da lista: R$ 275 mil de Paulo José Gomes de Sales e R$ 225 mil de Sergio Viana Moura. Já Fernando Antonio Pires de Castro enviou R$ 350 mil ao diretório nacional do PP, além dos R$ 60 mil repassados diretamente a Danilo Forte.
A distinção é relevante porque uma doação para um diretório não pode ser automaticamente atribuída a determinado candidato. É a movimentação posterior registrada nas contas partidárias que permitirá acompanhar como o recurso será distribuído ou utilizado ao longo da campanha.
Dez doadores concentram quase um quarto do dinheiro acima de R$ 30 mil
A concentração aparece também quando os dez primeiros colocados são comparados com todo o universo levantado pela Fórum.
A base identificou 330 pessoas físicas que já fizeram mais de R$ 30 mil em doações externas. Somados, esses financiadores haviam destinado R$ 37,28 milhões a campanhas e estruturas partidárias até o processamento dos dados.
Os R$ 9,035 milhões do top 10 equivalem, portanto, a aproximadamente 24,2% de todo o dinheiro movimentado por esse grupo de grandes doadores. Em outras palavras, dez pessoas respondem por quase um em cada quatro reais doados pelos 330 financiadores que ultrapassaram a marca de R$ 30 mil.
A presença de grandes financiadores privados já apareceu em outras eleições. Em outra frente da cobertura sobre dinheiro e política, a Fórum mostrou o relato de Valdemar Costa Neto sobre os R$ 3 milhões que Fabiano Zettel teria depositado diretamente na campanha de Jair Bolsonaro em 2022.
Pela legislação eleitoral, pessoas físicas podem fazer doações a candidatos e partidos, respeitado, como regra geral, o limite de 10% dos rendimentos brutos obtidos pelo doador no ano anterior à eleição. O tamanho de uma contribuição, isoladamente, portanto, não significa que exista irregularidade.
O ranking também não é definitivo. Candidatos e partidos continuam enviando receitas à Justiça Eleitoral durante a campanha e podem retificar informações já prestadas. Por isso, os valores apresentados correspondem à fotografia dos arquivos oficiais processados pela Fórum até 24 de agosto de 2026.
 

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