Alcolumbre se pronuncia sobre impeachment de ministros do Supremo após crise do caso Master

Alcolumbre se pronuncia sobre impeachment de ministros do Supremo após crise do caso Master
- Marcos Brandão/Senado Federal

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), reconheceu que o volume de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal chegou a um patamar fora do padrão, mas evitou indicar se pretende dar andamento a algum dos processos acumulados na Casa.
A declaração ocorreu em meio à repercussão da decisão do ministro André Mendonça de retirar o sigilo da investigação que reúne mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Alcolumbre afirmou que existem 109 pedidos de impeachment contra integrantes do STF e disse que “não é normal” a quantidade. O senador, porém, evitou associar a declaração diretamente ao caso envolvendo Moraes e afirmou que não faria avaliação sobre o conteúdo das mensagens divulgadas pela Polícia Federal.
“Eu não achei nada. Eu não tenho que achar nada”, disse o presidente do Senado ao ser questionado sobre o relatório da PF.
A posição de Alcolumbre tem peso político porque cabe exclusivamente ao presidente do Senado decidir se uma denúncia contra ministros do Supremo será aceita e levada adiante. Até hoje, nenhum integrante da Corte foi afastado por um processo de impeachment.
A crise aumentou após a divulgação do relatório da Polícia Federal sobre o celular de Daniel Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero. O documento reúne 218 páginas com mensagens, arquivos, registros de chamadas e contratos analisados pelos investigadores.
Segundo a PF, parte dos diálogos encontrados no aparelho envolve um contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA”. Os investigadores apontam que Vorcaro teria buscado interlocução com autoridades públicas durante as investigações relacionadas ao Banco Master.
O relatório também menciona conversas envolvendo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e pessoas próximas a autoridades que participaram de eventos patrocinados pelo banco.
A divulgação do material provocou reação da oposição, que passou a pressionar o Senado por medidas contra Moraes. O ministro é o principal alvo dos pedidos de impeachment protocolados no Congresso.
O presidente do Senado, que mantém relação política próxima com integrantes do Supremo, passou a ser pressionado a se posicionar enquanto tenta administrar a crise entre Legislativo e Judiciário.

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