André Mendonça registra maioria de rejeição nas redes sociais pela primeira vez desde o início da atual crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal e o Banco Master. Monitoramento da Ativaweb DataLab mostra que 52,8% das manifestações classificadas sobre o ministro nesta terça-feira (8) foram críticas, contra 33,5% de apoio ou defesa e 13,7% de conteúdo jornalístico ou informativo.
O levantamento identificou 3.676.228 novos registros digitais apenas no dia 8 de setembro. Com isso, o volume acumulado desde 31 de agosto chegou a 66.076.228 menções, ocorrências e interações no Facebook, Instagram, X, TikTok e YouTube.
Os números não correspondem a usuários únicos nem devem ser lidos como pesquisa de intenção de voto ou levantamento tradicional de opinião pública. O estudo mede a circulação digital da crise e classifica o sentimento dos conteúdos coletados nas plataformas.
André Mendonça lidera rejeição nas redes sociais no recorte do dia
A mudança ocorre depois de Mendonça ganhar protagonismo na disputa envolvendo o STF e a Polícia Federal. Segundo a Ativaweb, até os últimos desdobramentos o ministro aparecia principalmente como contraponto a Alexandre de Moraes e recebia forte apoio entre grupos críticos ao Supremo.
O cenário mudou à medida que Mendonça passou a ocupar posição central nos acontecimentos envolvendo a PF. Nesta terça-feira, o ministro determinou o afastamento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. A crise sofreu nova reviravolta nesta quarta-feira (9), quando Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei e Almada aos cargos, como mostrou a Fórum.
Para a Ativaweb, a mudança no sentimento sobre Mendonça está associada justamente ao aumento de sua centralidade institucional. O relatório aponta crescimento das discussões sobre os limites da atuação de um ministro do STF sobre a Polícia Federal, a autonomia operacional da corporação e os efeitos de decisões individuais sobre investigações em andamento.
Na classificação qualitativa elaborada pelo DataLab, Mendonça aparece como o personagem de maior crescimento de atenção e crítica em 8 de setembro. É a primeira inversão de sentimento registrada em relação ao ministro no ciclo analisado.
Crise no STF supera 66 milhões de registros digitais
O aumento das críticas a Mendonça, porém, não significa que o núcleo que deu origem à crise tenha perdido rejeição. O grupo formado por Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro e Banco Master permanece em patamar muito superior: 88,4% dos registros classificados foram críticos, enquanto 10,7% ficaram no campo neutro ou informativo e 0,9% não tiveram sentimento identificado.
A diferença é importante para compreender os dados. O ambiente digital não simplesmente abandonou um alvo para adotar outro. Segundo a leitura do relatório, a crise passou a acumular personagens e novos focos de desgaste.
Vorcaro e Banco Master perderam parte da centralidade direta no debate diário, mas permanecem classificados como origem permanente da narrativa. Moraes, por sua vez, continua associado ao maior nível de rejeição estrutural acumulada, mesmo quando não protagoniza o acontecimento responsável pela nova onda de repercussão.
Da disputa entre ministros à crise institucional
Outro movimento identificado pelo levantamento está no vocabulário utilizado nas redes. Nas primeiras fases, a discussão era dominada por referências a Moraes, Vorcaro, Banco Master, mensagens, valores financeiros e investigações.
Nos registros mais recentes, passaram a ganhar espaço expressões como Polícia Federal, autonomia, plenário, investigação, PGR e AGU, ao lado de nomes como Edson Fachin, Andrei Rodrigues, Paulo Gonet, Jorge Messias e Lula.
A ampliação coincide com a entrada formal de diferentes instituições na crise. Em 3 de setembro, o próprio STF informou que Fachin abriu procedimento para apurar a conduta em investigações da Polícia Federal e determinou que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues apresentassem esclarecimentos.
Para a Ativaweb, essa alteração de vocabulário é um sinal de que a conversa deixou de se concentrar apenas nas relações e suspeitas envolvendo personagens específicos e passou a incorporar uma disputa sobre funcionamento, competência e poder das próprias instituições.
“No começo, a nuvem de palavras tinha personagens. Hoje ela tem instituições inteiras. A crise começou falando de dinheiro; agora fala de poder”, afirma Alek Maracajá, cientista de dados da Ativaweb DataLab.
A Polícia Federal também aparece entre os atores que mais ganharam espaço no monitoramento de 8 de setembro. Antes presente principalmente como responsável pelas investigações, a corporação passou a integrar diretamente a disputa política e institucional discutida nas plataformas.
No ranking qualitativo de centralidade narrativa elaborado pela Ativaweb para o dia 8, André Mendonça aparece em primeiro lugar pelo crescimento de atenção e críticas. Na sequência estão Alexandre de Moraes, Andrei Rodrigues, Edson Fachin, a Polícia Federal e Daniel Vorcaro/Banco Master.
Crise no STF: André Mendonça lidera rejeição nas redes sociais, diz pesquisa
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