Marqueteiro amigo de Flávio Bolsonaro fez repasse de R$ 1 milhão à produtora de Dark Horse

Marqueteiro amigo de Flávio Bolsonaro fez repasse de R$ 1 milhão à produtora de Dark Horse
- O senador Flávio Bolsonaro, candidato a presidente - Foto: Leandro Chemalle/Revista Fórum

O avanço das investigações sobre a engrenagem financeira em torno do filme Dark Horse colocou no radar das autoridades policiais e judiciais personagens de extrema proximidade com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em despacho fundamentado que autorizou as ações de busca e apreensão ostensivas deflagradas pela Polícia Federal nesta quinta (10), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino destacou um repasse financeiro de R$ 1 milhão efetuado pelo publicitário Marcello de Oliveira Lopes, conhecido no meio político como “Marcellão”. Amigo pessoal do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, o marqueteiro figura como um dos principais alimentadores das “contas” dadas à Go Up Entertainment, a produtora encarregada do projeto cinematográfico.
A transação milionária veio à tona a partir de Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Os documentos oficiais revelam que a movimentação do publicitário integrou uma janela temporal de intensa atipicidade bancária na conta da produtora, gerenciada pela empresária Karina Ferreira da Gama. No curto intervalo entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, a Go Up registrou um fluxo financeiro bruto impressionante de R$ 19,03 milhões, somando mais de R$ 8,95 milhões em créditos e R$ 10,07 milhões em lançamentos a débito.
Em seu despacho, o ministro Flávio Dino detalhou o mapa dos maiores remetentes de recursos que irrigaram a produtora no período sob suspeita. Além do aporte de R$ 1 milhão vindo do marqueteiro ligado a Flávio Bolsonaro, a contabilidade da Go Up recebeu R$ 3,92 milhões do Moneycorp Banco de Câmbio S.A., R$ 2,61 milhões da GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Eireli, R$ 750 mil da empresa NTT Brasil Ltda. e um montante substancial de R$ 645,4 mil transferido diretamente pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário Especial da Cultura do governo Bolsonaro e alvo central da ofensiva da PF.
Após o achado da PF, Marcello Lopes sustentou a interlocutores que o valor tratava-se de uma operação legítima de “investimento” no setor privado. No entanto, o cronograma das formalizações contratuais levantou fortes suspeitas entre os peritos e investigadores. Embora o aporte milionário tenha sido liquidado nas contas da Go Up no final de 2025, o instrumento jurídico que em tese ampararia o negócio só foi devidamente assinado por Marcellão e pela produtora no dia 4 de junho de 2026, data na qual o escândalo envolvendo os desvios de recursos e conexões com o Banco Master já dominava o noticiário nacional e os bastidores do Judiciário, colocando Flávio Bolsonaro em situação delicada.
Para fontes da Polícia Federal ouvidas pela Fórum, o hiato de quase sete meses entre o desembolso efetivo e a confecção do contrato formal indica uma tentativa posterior de dar aparência de legalidade a uma transferência atípica. A inclusão do nome de Marcellão no rol de financiadores diretos do longa-metragem reforça a tese dos investigadores de que a produção cinematográfica foi utilizada como biombo para a circulação, ocultação e lavagem de recursos oriundos de esquemas de apadrinhamento político e desvios de verbas públicas.

Ver mais

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!