Candidata ao Senado em São Paulo, pela Federação PSOL/Rede e Coligação Desperta SP, Marina Silva (Rede) analisou o cenário eleitoral, criticou a postura de Flávio Bolsonaro em relação ao meio ambiente e afirmou que o atual contexto político é “muito difícil”.
“Não consigo imaginar o que seria uma vitória do Flávio Bolsonaro para a agenda ambiental e para a agenda indígena, dos direitos humanos e das mulheres no Brasil”, avaliou Marina, durante entrevista ao Fórum Onze e Meia desta segunda-feira (14).
A candidata relatou a situação do meio ambiente no país. “Nós pegamos o Ministério em frangalhos, quando o presidente Lula me convidou. Quando eu saí em 2008, deixei 1.700 fiscais do Ibama. Quando voltei, tinham apenas 700. Quando eu saí, tinha um Conselho Nacional de Meio Ambiente robusto. E o Conama estava totalmente atomizado pelo governo Bolsonaro, desmatamento fora de controle, com mais de 11 mil quilômetros quadrados de devastação, que foi a taxa de 2022, sem falar na paralisação da criação de unidades de conservação, toda a política de desmonte que foi feita no governo Bolsonaro”, relembrou.
“Nós reconstruímos tudo isso, ampliamos políticas, demos excelentes resultados em desmatamento, em desintrusão de terra indígena. Não consigo imaginar que a terra indígena Yanomami possa ser invadida novamente. Com o governo do presidente Lula, nós conseguimos fazer uma desintrusão tirando mais de 27 mil garimpeiros de dentro da terra indígena Yanomami”, acrescentou.
Marina reiterou seu pensamento: “Eu não consigo imaginar que tudo isso vá por água abaixo com o governo Flávio Bolsonaro. Ele, inclusive, disse em cadeia nacional, na sabatina do Jornal Nacional, que não existe mudança do clima e, quando perguntado sobre o que fazer, ele disse que era saneamento básico. Saneamento básico é importante, claro, para a saúde pública, para o meio ambiente, mas ele não só é um negacionista, como também é um incompetente ou faz questão de não querer ter competência nenhuma para falar de um tema com essa magnitude”.
Cenário eleitoral
Marina Silva afirmou que o cenário eleitoral atual é “muito difícil, tanto internamento quando externamente. E tudo se torna mais grave quando a gente junta o contexto geopolítico com essa situação difícil em termos institucionais e estrutural que nós temos no nosso país”, disse.
“Em 2022, tivemos que fazer uma frente ampla para proteger nossa democracia. Eu sempre digo: com um grupo político que não respeita democracia, direitos humanos, não respeita as mulheres, a dignidade humana e o meio ambiente, é muito difícil imaginar que a gente tenha o mínimo de coeficiente civilizatório que a humanidade já alcançou”.
A candidata ao Senado fez uma revelação: “A gente achava que ia chegar em 2026 com o ambiente democrático estabilizado. Para nossa surpresa, não só se agrava. Além da ameaça à democracia, nós temos uma ameaça real a nossa soberania, que está sendo atacada por um grupo interno e um grupo externo, o governo Trump, conspirando contra o Brasil, inclusive com esses tarifaços, que têm prejudicado a economia, os empregos, a indústria, cultura, os trabalhadores, enfim, o povo brasileiro”.
Marina ressaltou, ainda, as crises institucionais que vão se sucedendo e se agravando. “Agora, com essa crise no Judiciário, configurada na Suprema Corte do país, com graves denúncias de corrupção, crime de responsabilidade e, também, com ritos processuais que estão sendo quebrados de maneira direcionada, seletiva, prejudicando, inclusive, o processo democrático, porque essa crise se acentua e se agrava em função, também da disputa eleitoral que está em curso. Isso é muito preocupante”.
Ataques machistas e campanha
A ex-ministra criticou os ataques xenofóbicos e machistas que ela e Simone Tebet (PSB), outra candidata ao Senado por São Paulo, vêm sofrendo, principalmente por parte do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
“Eu e a Simone estamos sofrendo uma série de críticas e ataques. O primeiro ataque veio do próprio candidato ao governo, Tarcísio de Freitas. Foi ele que chamou a mim e a Simone de forasteiras. Ele, que generosamente foi recebido em 2022 pelo estado de São Paulo, quando foi eleito governador na mesma época, inclusive, em que eu mudei meu título eleitoral. Já sou deputada federal por São Paulo”, declarou.
“São dois pesos e duas medidas. Para o Tarcísio é tapete vermelho, e para as mulheres é ser tratadas como forasteiras, e isso é uma demonstração do desconhecimento que essas pessoas têm, até mesmo da generosidade, da capacidade de acolher que tem o estado de São Paulo”, apontou.
Educação e segurança
“O que eu quero construir, junto com a Simone, é uma educação de qualidade, até porque São Paulo ocupava o primeiro lugar no ensino médio em 2015 e caiu para o décimo lugar. São Paulo é o estado que, de longe, está perdendo competitividade. Enquanto o Brasil cresce 2,5%, São Paulo está crescendo apenas 0,5%”, destacou.
Marina também mencionou um dos pontos de maior preocupação da população brasileira. “O estado de São Paulo, que o governador fala o tempo todo de segurança, nós temos um aumento terrível de feminicídio. É o lugar onde o feminicídio mais aumentou. A gente tem aumento de 94% do feminicídio no estado. Portanto, a gente tem aqui um governo que, infelizmente, critica a mim e a Simone, mas não olha para aquilo que está faltando da sua parte”.
Campanha de Lula
Questionada sobre o que acha da campanha de Lula à presidência, que vem recebendo críticas, a ex-ministra do Meio Ambiente foi enfática.
“Acho que a campanha do presidente Lula está fazendo o que uma pessoa que está na presidência da República tem que fazer, que é mostrar o trabalho que está sendo feito, mostrar a realidade como foi encontrada. Graças a Deus, nós não temos a ideia de que o presidente Lula não tem essa postura de que vale tudo para ganhar uma eleição. Ele vai fazer a disputa como sempre fez, desde que foi candidato pelas primeiras vezes, trazendo as propostas, fazendo as críticas, mas sem extrapolar para atitudes que levam à desconstrução de biografias de forma injusta”, analisou.
“A campanha do presidente Lula e o presidente Lula ajudam a minha campanha e a campanha do Haddad. Estou aqui fazendo a campanha com o presidente Lula e tenho certeza que, se Deus quiser, ele haverá de ganhar as eleições. Estamos trabalhando para levar o Fernando para o segundo turno e eu sou daquelas que sou insistente. Eu não dou de bandeja de que vai ser só um senador”, afirmou.
Leia a entrevista completa de Marina Silva
Marina: “Não consigo imaginar o que seria vitória do Flávio Bolsonaro para agenda ambiental”
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