A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, já se antecipou, mesmo que as eleições não estejam definidas, e anunciou redução do gasto público como eixo central do programa econômico do candidato.
A proposta, segundo ela, prevê uma economia equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), acompanhada de uma revisão das regras fiscais e de uma reestruturação da máquina federal.
Daniella sustentou que o problema central da economia brasileira está no crescimento das despesas públicas e na trajetória da dívida. Para enfrentá-lo, defendeu um “tesouraço”, nos moldes do que fez Javier Milei, na Argentina, destruindo a economia do país, que começaria pelo combate ao que chamou se privilégios, supersalários, cargos comissionados e estruturas consideradas excessivas.
Entre os ativos que poderiam entrar no processo de reorganização, ainda conforme Daniella, estão imóveis da União, estatais, créditos de dívida ativa e contratos públicos. Ela citou a existência de cerca de 761 mil imóveis públicos, com valor contábil superior a R$ 1,5 trilhão, além de 44 estatais que, segundo ela, consomem cerca de R$ 30 bilhões por ano.
O problema está justamente na transformação da meta em números concretos. Questionada sobre como chegar a 1,5% do PIB, Daniella afirmou, em entrevista à Folha de S.Paulo, que o detalhamento caberia ao Congresso. “Não sou a Mãe Dinah”, respondeu, ao ser pressionada sobre quais despesas seriam efetivamente cortadas.
A declaração deixa uma questão fundamental em aberto: qual será a composição do ajuste? O orçamento brasileiro possui elevada parcela de despesas obrigatórias. A própria Daniella reconhece que cerca de 94% do orçamento está “carimbado”. Isso significa que cortar despesas discricionárias, embora politicamente mais simples, não seria suficiente para produzir um ajuste estrutural de grande magnitude.
Consequência política
Outra questão não considerada pela “guru” econômica de Flávio Bolsonaro é que que existe uma consequência política igualmente importante.
Quanto mais o ajuste depender de despesas obrigatórias, maior será o conflito com Congresso, Judiciário, servidores públicos, aposentados e beneficiários de ações sociais, principalmente políticas públicas como Bolsa Família, Pé de Meia e Minha Casa Minha Vida.
Coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro já promete “tesouraço” nos moldes de Milei
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