Flávio Bolsonaro gastou R$ 8 milhões para impulsionar posts durante crise sobre Nossa Senhora Aparecida

Flávio Bolsonaro gastou R$ 8 milhões para impulsionar posts durante crise sobre Nossa Senhora Aparecida
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A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) R$ 8 milhões em despesas com impulsionamento de conteúdos entre os dias 24 e 30 de setembro, período em que o candidato enfrentou uma crise nas redes envolvendo Nossa Senhora Aparecida e passou a divulgar publicações para rebater a informação falsa de que pretendia retirar da santa o título de padroeira do Brasil.
Levantamento feito pelo Fórum Investiga, Núcleo de jornalismo investigativo da Fórum, a partir da prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral mostra que 88,9% de um total de R$ 9 milhões declarado por Flávio para impulsionamento no primeiro turno está concentrado nesses sete dias, em que o candidato tentava contrapor informações sobre a padroeira do Brasil, que causou forte impacto no eleitorado católico.
Além do impulsionamento das publicações, Flávio Bolsonaro acionou advogados para um levante jurídico, avalizado pelo ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para censurar milhares de publicações sobre o tema.
A primeira ação foi movida contra o humorista Antônio Tabet, do Porta dos Fundos, que no dia 24 de setembro, que publicou na rede X um post que sequer mencionava Flávio ou o clã Bolsonaro: “A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”, dizia o post, que foi censurado no mesmo dia por André Mendonça.
https://x.com/antoniotabet/status/2105482781346136130
Até este dia, o PL havia investido R$ 1 milhão em impulsionamento de conteúdo: R$ 600 mil no dia 3 de setembro, R$ 300 mil no dia 8 de setembro e R$ 100 mil no dia 9 de setembro.
No mesmo dia da publicação de Tebet, em 24 de setembro, Flávio Bolsonaro colocou R$ 1 milhão para impulsionar as publicações – R$ 800 mil diretamente na Meta, de Mark Zuckerberg, que administra Facebook e Instagram; e R$ 200 via Joyo Tecnologia Brasil, empresa brasileira ligada ao Kwai.
A reação de Flávio Bolsonaro diretamente em seus perfis da Meta começou às 13h35 do dia seguinte, 25 de setembro, quando o candidato publicou um vídeo dizendo que “jamais tiraria Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil”. Neste dia, segundo a plataforma hubPolítico, há R$ 21 mil gastos pelo senador em impulsionamento nas redes.

 

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Censura e levante nas redes
A partir de 25 de agosto, com a reação de Flávio Bolsonaro e a censura a Tabet, a polêmica explodiu.
Levantamento do Instituto Democracia em Xeque contabilizou 2,4 milhões de menções ao episódio nas redes entre 24 e 29 de setembro, além de 24,7 milhões de interações. O maior pico ocorreu no dia 25, às 19h, com 46,3 mil menções em uma hora.
A publicação de Flávio Bolsonaro no mesmo dia marcou o “apito de cachorro” para reação do ecossistema bolsonarista nas redes. Enquanto André Mendonça e Luix Fux buscam censurar as publicações, contestando decisão de Flávio Dino, nas cortes superiores, a campanha de Flávio Bolsonaro injetava milhões para impulsionar conteúdos nas redes.
No dia 28 de setembro, a campanha fez um novo aporte, de R$ 1,7 milhão – R$ 1,35 milhão diretamente na Meta e R$ 350 mil na Joyo. No dia seguinte, mais R$ 1 milhão é pago para a Meta.
O desespero na campanha era evidente e retratado nas pesquisas de intenção de votos. No dia 28, a BTG/Nexus mostrava que Lula havia subido 3 pontos entre os católicos, chegando a 47%. Entre evangélicos, o salto foi maior, de 5 pontos, com o presidente passando de 26% para 31%. Já Flávio Bolsonaro fez o movimento contrário: oscilou um para menos entre católicos, marcando 39% agora. E caiu 5 pontos entre evangélicos, passando de 62% para 57%.
No mesmo dia, Flávio Bolsonaro ampliou a crise ao acusar a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de estar por trás do que classificou como “fake news” sobre Nossa Senhora. A reação da igreja Católica foi imediata, por meio de nota, que fez o candidato recuar dizendo que “minha briga é contra a mentira, nunca contra a Igreja”.
Julgamento no TSE e aporte milionário
No dia 30, quando Kássio Nunes Marques levou a censura a Nossa Senhora a julgamento virtual no plenário do TSE, a campanha de Flávio Bolsonaro fez o maior aporte: R$ 4,3 milhões.
Desse total, R$ 4 milhões foram pagos diretamente à Meta e R$ 300 mil ao Joyo, responsável pelo Kwai.
No total, Flávio gastou R$ 8 milhões até André Mendonça recuar em parte da censura, permitindo que a publicação de Antônio Tabet voltasse ao ar em um aparte de seu voto no plenário virtual.

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