Flávio Bolsonaro explora fake news sobre Nossa Senhora Aparecida na campanha

Flávio Bolsonaro explora fake news sobre Nossa Senhora Aparecida na campanha
Flávio Bolsonaro segura imagem de Nossa Senhora durante ato no dia 28 de setembro em em São Paulo - Foto: Bruno...

Flávio Bolsonaro (PL) transformou a polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida em uma ofensiva eleitoral contra o PT e a Igreja Católica. O senador acusou integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de espalhar fake news sem apresentar provas e, depois de ser desmentido pela entidade, tentou utilizar a própria nota dos bispos para sustentar sua versão.
A disputa chegou a esta segunda-feira (12), Dia de Nossa Senhora Aparecida, com o candidato exibindo imagens da padroeira em compromissos de campanha. Flávio também comparou a repercussão do episódio à facada sofrida por Jair Bolsonaro em 2018.
Em 27 de setembro, durante uma agenda em Goiânia (GO), Flávio afirmou que o PT havia contado com a ajuda de religiosos para disseminar informações falsas sobre uma suposta iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
“O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news e conseguiu, com a ajuda de gente dentro da CNBB, infelizmente”, declarou.
CNBB desmente Flávio Bolsonaro
A resposta da Igreja Católica veio no mesmo dia. Em nota oficial, a CNBB negou participação na produção ou divulgação de informações falsas e repudiou acusações sem provas contra a instituição.
“A mentira não se combate com outra mentira”, afirmou a entidade.
No dia seguinte, durante uma visita ao Mercado Municipal de São Paulo, Flávio apresentou a nota como uma confirmação de sua própria versão.
“Foi uma boa nota, esclarecedora, porque confirma que essa história de Nossa Senhora Aparecida deixar de ser a padroeira do Brasil era uma grande mentira”, afirmou.
A CNBB, porém, não havia confirmado a acusação contra o PT nem investigado a origem do boato. O documento respondia justamente à tentativa do senador de envolver integrantes da Igreja Católica na suposta operação de desinformação.
Pastor ligado a Flávio defendeu retirar título de Nossa Senhora
A ofensiva contra a CNBB ocorreu enquanto Flávio mantinha proximidade com o bispo evangélico JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações, que defendeu em livro a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.
Como mostrou a Fórum, Carvalho publicou em 2001 a obra A Bomba – A verdade pode ser explosiva, na qual questiona a legalidade do reconhecimento de Aparecida como padroeira nacional e convoca cristãos a se mobilizarem contra esse título.
Flávio e sua esposa, Fernanda Bolsonaro, foram batizados na igreja do bispo em 2024. O senador também escolheu a Comunidade das Nações para sua primeira aparição pública após anunciar a pré-candidatura presidencial, em dezembro de 2025.
Em agosto, o próprio Flávio havia declarado que, se eleito presidente, um de seus primeiros atos seria decretar que o Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo.
De ataques ao STF à comparação com facada
Flávio também acusou o PT de manter uma suposta “liga da mentira”, financiada com dinheiro público, e atacou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), após uma decisão envolvendo publicações sobre a padroeira.
O senador afirmou que Dino havia liberado a atuação dessa suposta rede. A decisão do magistrado, entretanto, tratava de uma publicação do humorista Antonio Tabet e dos limites da liberdade de expressão, não de uma autorização para disseminar notícias falsas.
Em 28 de setembro, durante entrevista ao podcast católico SantoFlow, Flávio recorreu ao atentado sofrido por seu pai na campanha presidencial de 2018.
“Eu acho que posso considerar uma espécie de facada essa fake news em mim”, declarou.
Naquele mesmo dia, o senador apareceu em São Paulo segurando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em 8 de outubro, recebeu outra imagem da padroeira durante visita à Arquidiocese de Brasília.
Para esta segunda-feira (12), sua campanha anunciou participação em uma missa na Catedral Metropolitana de Brasília, duas semanas depois de o candidato acusar integrantes da principal entidade dos bispos católicos do país de participar de uma operação de desinformação.

Ver mais

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!