Grupo de Pablo Marçal corre risco de afogamento em Ironman e é desclassificado

Grupo de Pablo Marçal corre risco de afogamento em Ironman e é desclassificado
Pablo Marçal

Cerca de 30 integrantes do círculo mais próximo de Pablo Marçal enfrentaram dificuldades e foram desclassificados na etapa de natação do Ironman 70.3 disputado em Encarnación, no Paraguai, no domingo (11). Segundo reportagem da coluna de Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, parte do grupo participou da competição sem preparação adequada para o percurso em águas abertas, marcado por correnteza e condições adversas. O próprio Marçal precisou ser retirado da água durante a prova.
O organizador da competição, o triatleta Rodrigo Recalde Larrea, classificou a conduta de parte dos participantes como irresponsável. Segundo ele, a organização precisou reforçar a segurança depois de identificar, no reconhecimento do circuito, que vários inscritos de um mesmo grupo demonstravam medo de nadar e não pareciam ter condições de completar o percurso.
“Eles foram irresponsáveis”, disse Larrea à coluna. “Em 23 anos no triatlo, eu nunca vi algo parecido. Apresentamos essa situação ao Ironman global, para entender como encarar uma situação dessas no futuro. Além disso, denunciamos quatro atletas para que eles sejam suspensos por atitude antidesportiva”, afirmou.
A prova de Encarnación foi disputada na modalidade Ironman 70.3, conhecida como meio-Ironman, que normalmente inclui 1,9 quilômetro de natação, 90 quilômetros de ciclismo e 21,1 quilômetros de corrida. Em razão das chuvas e da correnteza no Rio Paraná, o trecho de natação foi reduzido para 1,5 quilômetro.
https://x.com/demetriovec/status/2110353503864426889
Organização reforçou segurança após identificar dificuldades
De acordo com o relato publicado pelo Metrópoles, a organização percebeu o problema no sábado (10), durante o reconhecimento do percurso. Um grupo numeroso de participantes, todos aparentemente ligados à mesma equipe, demonstrava dificuldades para nadar por um período prolongado em um rio com correnteza.
Diante do risco de afogamento, foram acrescentados 15 profissionais à equipe de segurança, que passou a contar com 42 pessoas no circuito de natação. A organização também contratou dez caiaques extras para auxiliar no acompanhamento dos competidores.
As condições do rio eram consideradas particularmente difíceis após as chuvas. Na segunda-feira (12), segundo a reportagem, a vazão da água chegou a motivar o fechamento do acesso às Cataratas do Iguaçu pelo lado argentino.
Pelas regras do Ironman, os competidores têm até uma hora e dez minutos para concluir a etapa de natação. Quem ultrapassa o limite é eliminado e deve entregar o chip de identificação, encerrando sua participação oficial na prova.
Dos 386 inscritos em Encarnación, 64 excederam o tempo permitido na água. Entre eles, havia 35 brasileiros, dos quais pelo menos 18 seriam integrantes do grupo ligado a Marçal, segundo o levantamento apresentado por Vecchioli.
Participantes relatam preparação de poucos dias
Apesar das dificuldades, alguns integrantes do grupo publicaram mensagens motivacionais nas redes sociais sobre a participação na competição. Entre eles está Wagner Gorgulho, que, segundo a coluna, concluiu o percurso mesmo depois de ter sido desclassificado na natação.
Gorgulho afirmou que decidiu encarar o desafio com apenas 11 dias de antecedência. Seu objetivo, segundo publicou, era “descobrir até onde a mente consegue levar o corpo”.
O coach Davidson Silva, também ligado ao grupo, relatou nas redes sociais que aprendeu a nadar em um dia e que se preparou durante 20 dias para a competição. As publicações dos dois defenderam a importância da força de vontade e da preparação mental para enfrentar desafios físicos.
Os resultados, porém, foram diferentes para boa parte dos participantes. Entre 25 inscritos vinculados à cidade de Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, onde Marçal mora e mantém negócios, apenas sete completaram o percurso, segundo os dados reunidos pela coluna. Quatro deles terminaram em mais de oito horas, beneficiados por uma exceção da organização quanto ao tempo total de prova.
A reportagem também aponta que vários participantes eliminados não publicaram informações sobre o fracasso na etapa de natação. Entre eles estão os coaches Izaque Lima, Paulo Corrales, Adonis Carnevale e Leandro Cita.
Marçal e a esposa também não informaram aos seguidores que não completaram oficialmente a competição. Segundo a coluna, ambos precisaram de auxílio de um jet ski para sair da água.
Paulo Henriques, que se apresenta nas redes sociais como sócio de Marçal, reconheceu que a preparação foi insuficiente. Ele foi eliminado na etapa de natação e aconselhou seus seguidores a se prepararem adequadamente antes de tentar uma prova semelhante.
“Nosso grupo tinha umas 60 pessoas, a gente estava fazendo esse Ironman com 15 dias de preparação. Pouquíssimas conseguiram completar, por motivos óbvios. Não tem como se preparar para uma prova dessas em 15 dias. Se você quer vir para uma prova dessa, treine de verdade. Tem que fazer uns 6 meses de preparação, no mínimo. Sou atleta de outras modalidades e não tem nada a ver. Foi difícil demais”, afirmou.
Quatro atletas podem ser suspensos
Além das desclassificações na natação, quatro participantes teriam se recusado a cumprir as regras da competição, deixando de entregar o chip e abandonar a disputa depois de ultrapassarem o tempo máximo. Três deles seriam brasileiros, e ao menos dois integrariam o grupo ligado a Marçal.
A organização não divulgou os nomes dos quatro atletas, mas informou que os envolvidos poderão receber suspensões de dois a quatro anos por conduta antidesportiva.
“Valorizamos muito a colaboração dos voluntários, eventos dessa magnitude não podem ser realizados sem ajuda de polícia, guardas, voluntários. Uma conduta que é penalizada com sanções de anos sem poder participar é uma penalização muito grave, de maltrato às pessoas voluntários, qualquer pessoa que represente a empresa. Essa é uma conduta antidesportiva que nós não toleramos”, declarou Larrea à coluna.
Um dos brasileiros envolvidos é Wilson Grassi Junior, candidato à Presidência da República pelo Democracia Cristã e ultramaratonista. Ele chegou à linha de chegada após 8h22, conforme publicou nas redes sociais, mas foi formalmente desclassificado por exceder o tempo permitido na natação.
Grassi reconheceu a infração e disse que aceitará uma eventual punição. Também afirmou que estava preparado para a prova, mas atribuiu as dificuldades às condições do rio.
“Choveu muito e tinha muita correnteza no rio. Esse trecho da natação foi muito difícil e perigoso. Em minha defesa, eu estava preparado , mas realmente devido as chuvas o rio estava muito agitado. Se eu tiver que ser punido, aceito, temos que assumir. Eu acho que não fui irresponsável, mas se for punido, aceitarei”, afirmou.
O candidato também pediu para não ser confundido com os integrantes do grupo de Marçal que, segundo ele, não tinham preparação suficiente. Ainda de acordo com o relato publicado pelo Metrópoles, Grassi disse que participantes do grupo terminaram a prova fazendo ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Marçal já foi alvo de processo por expor pessoas a risco
O episódio ocorre quase quatro anos depois de Marçal liderar uma expedição ao Pico dos Marins, em Piquete, no interior de São Paulo. Em janeiro de 2022, a atividade mobilizou o Corpo de Bombeiros para resgatar 32 pessoas em uma operação que durou cerca de nove horas.
Após o episódio, Marçal passou a responder a um processo com base no artigo 132 do Código Penal, que trata de expor a vida ou a saúde de outra pessoa a perigo direto e iminente. Segundo a reportagem, ele está proibido desde 2022 de promover atividades externas em montanhas, picos, rios, lagos e mares sem autorização prévia e expressa da Polícia Militar, incluindo o Corpo de Bombeiros, da prefeitura e da Defesa Civil local.
A participação no Ironman do Paraguai também chamou a atenção por causa das condições de inscrição. Conforme a coluna, Marçal conseguiu inscrever pelo menos cinco pessoas de última hora. A competição ainda está em fase inicial no país, onde a primeira edição do evento foi realizada no ano passado.
No Brasil, provas de triatlo desse tipo costumam ter inscrições disputadas, em meio ao crescimento do interesse pela modalidade, sobretudo entre empresários.
Os organizadores afirmaram que não tinham como identificar previamente a falta de preparo dos participantes. Segundo eles, não havia acesso ao histórico esportivo dos inscritos, e o formulário de inscrição se limitava a informações sobre condições de saúde, como alergias e asma. Após o episódio, a organização passou a discutir com a direção global do Ironman medidas para evitar situações semelhantes em outras etapas.
O que diz a equipe de Pablo Marçal
Procurada pela coluna de Demétrio Vecchioli, a equipe de Marçal negou que ele tenha organizado a participação do grupo e afirmou desconhecer qualquer irregularidade durante o evento.
“Estiveram dezenas de brasileiros no Paraguai para realizar a prova do Ironman e não conhecemos muitos brasileiros que estiveram ali. Aqueles que compareceram no grupo foram voluntariamente e sem orientação ou liderança, até porque todos treinaram individualmente e também participaram da prova por conta própria. Como todo tipo de prova, alguns não completaram a prova ou deixaram de fazer alguma modalidade por observar cada um suas próprias condições físicas. Não temos notícia de qualquer desordem ou violação das regras do evento. Da mesma forma, não há qualquer relação com eventos anteriores ou provas anteriores que o Pablo esteve presente“.

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