Michel Temer pediu R$ 30 milhões para viabilizar negócio de Daniel Vorcaro com BRB

Michel Temer pediu R$ 30 milhões para viabilizar negócio de Daniel Vorcaro com BRB
- Michel Temer (Antonio Cruz/ Agência Brasil)

O escritório de advocacia do ex-presidente Michel Temer (MDB) firmou um contrato de até R$ 30 milhões com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, para tentar viabilizar a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB).
O acordo foi assinado em 3 de setembro de 2025 e encaminhado diretamente a Vorcaro pelo publicitário Elsinho Mouco, interlocutor de Temer, já com os dados bancários do escritório preenchidos. A operação dependia de autorização do Banco Central, que acabou vetando o negócio. Procurado, Temer não se manifestou.
Contrato milionário para viabilizar negócio
O escritório de Michel Temer acertou com o Banco Master uma remuneração estruturada em duas etapas: R$ 10 milhões em honorários iniciais, divididos em duas parcelas iguais, e outros R$ 20 milhões condicionados à conclusão da venda do Master ao BRB, após autorização do Banco Central.
O contrato, assinado em 3 de setembro de 2025, tornava o escritório do ex-presidente diretamente interessado no desfecho favorável de uma operação financeira de grande porte submetida a órgãos reguladores do Estado.
O acordo formal estabelecia três frentes de trabalho para o escritório: acompanhamento de uma ação judicial relacionada ao Banco Central, atuação em uma representação apresentada ao Tribunal de Contas da União (TCU) e busca de mediação junto aos órgãos competentes. O documento previa ainda que o escritório deveria “assinar e acompanhar os referidos processos juntamente com outros colegas advogados já contratados”.
Uma das atribuições mais específicas era anular eventual decisão do Banco Central que contasse com a participação do diretor Renato Lemos. Segundo o próprio contrato, o Master atribuía a demora na aprovação da operação à atuação de Lemos, descrita pelo banco como “equivocada e prejudicial à negociação”. A representação ao TCU envolvia uma denúncia apresentada pelo Banco Bluebank, integrante do mesmo grupo financeiro do Master, distribuída ao ministro Jhonatan de Jesus.
Quanto aos pagamentos, a estrutura era a seguinte: R$ 5 milhões na assinatura e R$ 5 milhões após 30 dias, com os R$ 20 milhões restantes liberados vinte dias após a autorização do Banco Central para a conclusão da transação, conforme cláusula expressa no contrato.
Envolvimento direto e desfecho
O contrato chegou a Daniel Vorcaro pelas mãos do publicitário Elsinho Mouco, interlocutor habitual de Temer, no mesmo dia em que foi assinado. Na mensagem enviada a Vorcaro, Mouco informou que o documento já estava assinado e continha os dados bancários do escritório, prontos para o repasse dos honorários. As conversas entre os dois também registram cobranças sucessivas por pagamentos.
Além da intermediação de Mouco, os diálogos revelam contatos diretos entre o ex-presidente e o banqueiro, incluindo a mediação de reuniões em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em novembro de 2025, pouco antes de Vorcaro ser preso. Elsinho Mouco também não se manifestou quando procurado.
A venda do Banco Master ao BRB não se concretizou: o Banco Central vetou a operação, o que impediu o pagamento dos honorários de êxito de R$ 20 milhões. Os R$ 10 milhões iniciais, no entanto, já estavam previstos independentemente do resultado.

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