A Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp, não poderá reduzir a circulação de conteúdos político-eleitorais das campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) por meio de mecanismos que diminuam artificialmente sua distribuição até o encerramento do segundo turno.
A determinação é do ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e foi tomada após a campanha de Lula recorrer à Justiça Eleitoral contra a empresa. Em caso de descumprimento, a Meta poderá ser submetida a multa diária de R$ 500 mil.
A coligação petista afirmou ao TSE que vinha enfrentando problemas recorrentes na entrega de suas publicações e sustentou haver indícios de tratamento desigual nas plataformas.
A campanha também apresentou comparações com conteúdos relacionados à candidatura adversária, entre eles publicações do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), para argumentar que postagens favoráveis a Lula estariam recebendo tratamento diferente.
Meta AI também entra na decisão
A discussão chegou também à ferramenta de inteligência artificial da empresa, a Meta AI.
Segundo os relatos apresentados ao Tribunal, a ferramenta recusava determinados pedidos para produzir imagens relacionadas à campanha de Lula, enquanto os mesmos comandos envolvendo Flávio Bolsonaro eram aceitos.
Diante das alegações, Bellizze determinou que os mesmos critérios sejam aplicados aos dois lados da disputa eleitoral.
Até o encerramento do segundo turno, a empresa também deverá se abster de aplicar aos conteúdos abrangidos pela ordem mecanismos como redução de distribuição, retirada de recomendações e restrições de busca.
Decisão vale para Lula e Flávio
Embora a ação tenha partido da campanha petista, a determinação do TSE não beneficia apenas Lula. A ordem estabelece tratamento equivalente para conteúdos político-eleitorais relacionados às duas candidaturas que disputam o segundo turno.
Ao fundamentar a medida, Bellizze ressaltou que a decisão não garante determinado alcance ou número de visualizações às campanhas e tampouco impede a aplicação das regras da plataforma em situações que envolvam conteúdos ilícitos ou outras hipóteses previstas na legislação.
O objetivo é impedir que os mecanismos de distribuição da empresa estabeleçam tratamento desigual entre as duas candidaturas justamente nos últimos dias da disputa presidencial.
Após ação de Lula, TSE impede Meta de limitar alcance de conteúdo eleitoral
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