O influencer e jornalista Mateus Fernandes, de 26 anos, conhecido como “Mateuso” nas redes sociais, registrou boletim de ocorrência em São Paulo por ameaças de morte e tortura recebidas nas redes sociais após declarar apoio à reeleição do presidente Lula (PT) e liderar uma rede de vira-voto com cerca de 500 criadores de conteúdo de periferia.
O caso foi registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) e encaminhado à Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber). Os ataques, que incluíram exposição do endereço residencial de Fernandes e mensagens com racismo religioso e apologia ao nazismo, forçaram o influencer a deixar sua própria casa por segurança.
Mateus Fernandes registrou o boletim de ocorrência após acumular prints de mensagens que incluíam ameaças explícitas de morte e tortura. O caso foi encaminhado também à DCCiber, especializada em crimes digitais. Com orientação jurídica, Fernandes documentou os ataques e formalizou a denúncia junto às autoridades policiais de São Paulo.
As ameaças tiveram início após o primeiro turno das eleições presidenciais, quando o influencer passou a usar suas redes sociais para falar abertamente sobre política partidária, tolerância e direitos sociais, posicionando-se em favor da reeleição de Lula (PT). A partir desse momento, o volume e a agressividade dos ataques escalaram de forma consistente.
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Ataques coordenados
Entre as mensagens recebidas por Fernandes, uma delas diz: “Macaco fedido macumbeiro, você tem 22 dias pra te matar você”.
Houve também ameaças de esquartejamento e referências explícitas à Ku Klux Klan, organização racista norte-americana historicamente ligada a assassinatos e terrorismo contra a população negra. Um dos usuários afirmou que “sonhava em matar” o influencer e que não desistiria até encontrá-lo; outro chegou a estabelecer um prazo para sua morte.
Segundo Fernandes, os ataques seguem um padrão de coordenação: “perfis com foto de bandeira do Brasil, imagens de Jesus ou sem foto começaram a me atacar de forma coordenada. Eles postavam mensagens de calúnia e ameaça conjuntamente e, cinco minutos depois, apagavam essas mensagens.”
A exposição do endereço residencial foi o ponto de inflexão. Desde então, Fernandes não retorna para casa, busca refúgio na casa de amigos e evita contato com familiares por temer colocá-los em risco. Ele relatou crises de ansiedade e febre psicológica como consequências diretas da situação.
Fundador do InfoPerifa, iniciativa voltada ao combate à desinformação climática e à promoção de justiça ambiental e pautas raciais e territoriais a partir das periferias brasileiras, Fernandes construiu uma rede com cerca de 500 influencers de periferia para a campanha de vira-voto em favor de Lula (PT). O alcance de suas postagens saltou de 2 milhões para mais de 9 milhões de acessos mensais após a articulação coletiva. Foi justamente esse crescimento que, segundo ele, intensificou os ataques.
Os advogados de Fernandes pediram ao Ministério Público de São Paulo que investigue os ataques, descritos na petição como uma “operação orquestrada de ataques cibernéticos em massa (cyber-raid)” com “manifestações de ódio racial, racismo religioso e apologia ao nazismo”. Se o MP já abriu procedimento investigatório a partir do pedido, não havia confirmação até o fechamento desta nota.
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