Canella, aliado de Flávio, negociava fim de barricadas com CV em troca de reduzir operações, aponta PF

Canella, aliado de Flávio, negociava fim de barricadas com CV em troca de reduzir operações, aponta PF
Márcio Canella, preso pela PF, e Flávio Bolsonaro - Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

O deputado estadual Márcio Canella (União), aliado do candidato Flávio Bolsonaro (PL), negociava a retirada de barricadas com o Comando Vermelho (CV) em troca de reduzir operações policiais em Belford Roxo, município em que foi prefeito, no Rio de Janeiro, segundo a Polícia Federal (PF). A informação foi divulgada pelo portal UOL nesta sexta-feira (16). 
Canella foi preso nesta quinta-feira (15) na 8ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga relações financeiras entre agentes públicos e facções criminosas no Rio. Ele já havia sido preso em flagrante em julho durante a 6ª fase da operação. 
Segundo a investigação da PF, a qual o UOL teve acesso, o esquema funcionava através do  capitão da Polícia Militar Alessander Ribeiro Estrella Rosa, que atuava como intermediário entre lideranças do Comando Vermelho e Márcio Canella. Enquanto esteve à frente da administração municipal de Belford Roxo, Canella ficou conhecido por  ações de remoção de barricadas, e agora as investigações da PF mostram o motivo. 
Estrella Rosa era responsável por negociar a retirada dessas barricadas para a realização de obras, em troca do governo de Canella diminuir as operações policiais. “No bojo dessa tratativa criminosa, pactuou-se a remoção consentida de barricadas por parte dos traficantes locais, com o escopo exclusivo de viabilizar a execução de obras urbanísticas públicas e sua subsequente exploração político-eleitoral midiática pela prefeitura”, afirma a PF em documento. 
“Em contrapartida a esse consentimento, a administração pública e o braço policial intermediário garantiam o recuo deliberado das incursões operacionais do Estado e a subsequente devolução pacífica do pleno controle territorial aos integrantes do tráfico de entorpecentes logo após a conclusão das intervenções asfálticas”, acrescenta a corporação. 
Prisão de Canella 
Canella foi preso nesta quinta-feira apontado como “patrono político e articulador de alto escalão da organização criminosa, exercendo papel de ligação entre os integrantes do núcleo econômico, agentes públicos e estruturas políticas”, segundo documento que autorizou a operação da PF. 
“As investigações indicam que seria beneficiário recorrente de valores provenientes da atividade ilícita do grupo, além de ter atuado na indicação de agentes para cargos estratégicos da administração pública”, aponta a investigação. 
Além do crime de organização criminosa armada, os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações.
O volume financeiro apurado chega a R$ 7,6 bilhões movimentados nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência Financeira do Coaf enviado à PF. Além de Canella e Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil do Rio de Janeiro, foram presos os inspetores da Polícia Civil Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. O delegado Glaucio Paz da Silva foi alvo de buscas. A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento dos mandados contra os policiais investigados.
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