O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro de Jair Bolsonaro, disparou críticas contundentes contra Flávio e Eduardo Bolsonaro em entrevista ao canal Revelando, apresentada pelo jornalista Bruno Torturra.
Santos Cruz classificou como “posição de subalterno” a foto de Flávio ao lado de Donald Trump na Casa Branca, em maio de 2026, e chamou de “vigarice” a busca ativa por apoio externo para interferir na política nacional, afirmando que esse comportamento representa um ataque direto à soberania brasileira.
Santos Cruz critica postura de Flávio e Eduardo Bolsonaro
Santos Cruz foi direto ao avaliar a imagem de Flávio Bolsonaro sentado ao lado de Trump no Salão Oval, encontro articulado por Eduardo Bolsonaro e pelo jornalista Paulo Figueiredo. Para o general, a cena não retrata uma aproximação diplomática entre iguais: é a “posição de subalterno”. A distinção que ele faz é precisa. “Isso não é busca de apoio. Busca de apoio é uma coisa. A busca de interferência é traição”, afirmou.
O general foi além e criticou o uso de bonés com a inscrição Make America Great Again (MAGA) por políticos como Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira, Eduardo Bolsonaro e Jair Bolsonaro.
Para Santos Cruz, o gesto é de “submissão voluntária” e revela a perda do “sentimento de patriotismo” por parte de quem se diz defensor da nação. “São pessoas que se dizem patriotas, mas perderam totalmente o sentimento de patriotismo, porque aquilo ali é uma marca registrada de propaganda de um partido político dos Estados Unidos”, declarou.
O caso de Eduardo Bolsonaro, segundo o general, é ainda mais grave. Santos Cruz afirmou que a ida do então deputado federal a Washington para negociar sanções contra o Brasil é “inimaginável” e configura um ataque à soberania nacional. “Eu nem sei se tem na legislação o enquadramento para isso”, disse, sinalizando que a conduta pode não ter precedente legal no país.
Ataque à soberania nacional e ‘submissão voluntária’
Na entrevista ao canal Revelando, Santos Cruz foi categórico ao enquadrar as ações da família Bolsonaro: “A busca de apoio externo, da maneira como foi feita, é um absurdo e realmente um ataque à soberania do Brasil, não tenho dúvida nenhuma. É submissão voluntária.”
O general acrescentou que os Estados Unidos se beneficiam desse “voluntariado”, sem precisar recrutar ninguém. A formulação é reveladora: na leitura de Santos Cruz, não se trata de pressão externa, mas de entrega espontânea de interesses nacionais a uma potência estrangeira.
Ao ser questionado sobre o extremismo do grupo, o general rejeitou qualquer enquadramento ideológico que justifique a conduta. “Isso aí não é direita, isso se chama vigarice”, afirmou. Ele também avaliou que o fanatismo político “apaga tudo”, inclusive o patriotismo, e pode ser “mais forte que o amor familiar” ao ponto de levar à traição.
Onde as declarações foram feitas
As declarações de Santos Cruz foram feitas em entrevista concedida em Brasília ao jornalista Bruno Torturra, do canal Revelando. A conversa integra o sexto episódio da série de videorreportagens do canal, intitulado Pátria Submissa, apresentado pelo ator Wagner Moura.
“Não é direita, é vigarice”: a forte declaração do general Santos Cruz contra o bolsonarismo
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