A professora doutora Regimeire Oliveira Maciel, da Universidade Federal do ABC (UFABC), denunciou ter sido agredida por um casal identificado como bolsonarista enquanto distribuía panfletos em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O episódio teria ocorrido nesta sexta-feira (16), na Praça da Matriz, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.
A denúncia foi divulgada nas redes sociais por Gabriel de Moraes, que publicou um vídeo com o relato da docente. Segundo a publicação, Regimeire foi intimidada e agredida durante a atividade de campanha eleitoral.
Após o episódio, a professora teria registrado um boletim de ocorrência e realizado exame de corpo de delito. No vídeo, ela menciona o procedimento: “Fiz questão de fazer o exame”.
Assista ao vídeo com o relato da professora:
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Um post compartilhado por Gabriel de Moraes (@gabriel.d.moraes)
O caso ganhou repercussão nas redes sociais a pouco mais de uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, quando Lula enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Professora é agredida durante campanha de Lula: o que diz a denúncia
Na publicação, Gabriel de Moraes classificou o episódio como uma manifestação de intolerância política contra quem exerce o direito de participar de uma campanha eleitoral.
“Essa é a cara do fascismo: a intolerância diante da divergência política, a intimidação e a violência contra quem exerce livremente seu direito de manifestação”, escreveu.
O autor da postagem também manifestou solidariedade à professora e afirmou que divergências políticas não podem servir de justificativa para agressões ou tentativas de silenciar adversários.
Regimeire Oliveira Maciel é professora adjunta do Bacharelado em Políticas Públicas da UFABC. Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), possui mestrado e doutorado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Sua trajetória acadêmica inclui pesquisas sobre relações raciais, políticas de ação afirmativa e políticas públicas. A docente também atua no Programa de Pós-Graduação em Economia Política Mundial da UFABC.
Violência política cresce durante as eleições de 2026
A denúncia ocorre em um cenário de aumento dos episódios de violência política durante a campanha eleitoral brasileira.
Levantamento divulgado pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global identificou 134 casos de violência política entre 16 de agosto e 4 de outubro de 2026, período correspondente à campanha do primeiro turno.
O número equivale a uma ocorrência a cada nove horas e supera os 121 episódios registrados no primeiro turno das eleições de 2022.
Segundo o estudo, mulheres foram vítimas em 52,2% dos episódios registrados durante o primeiro turno deste ano. O levantamento considera ataques contra candidaturas, ocupantes de cargos públicos e outras pessoas atingidas pela violência política.
Em setembro, a Revista Fórum noticiou a denúncia de ameaças contra manifestantes que participavam de um ato em apoio a Lula na Avenida Paulista. Na ocasião, um homem identificado como bolsonarista foi filmado segurando uma arma de choque próximo aos participantes.
Distribuição de panfletos é garantida pela legislação eleitoral
A atividade que Regimeire realizava no momento da suposta agressão é expressamente autorizada pelas regras da Justiça Eleitoral.
A Resolução nº 23.610 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualizada para as eleições de 2026, permite a distribuição de materiais de campanha em espaços públicos abertos, incluindo ruas, praças, feiras livres e parques, desde que não haja prejuízo à circulação de pessoas.
A norma também estabelece que a distribuição de folhetos, adesivos e outros materiais impressos de campanha independe de autorização prévia da Justiça Eleitoral ou de licença municipal.
As regras podem ser consultadas na resolução sobre propaganda eleitoral publicada pelo TSE.
No caso da professora da UFABC, ainda não foi possível confirmar de forma independente o conteúdo do boletim de ocorrência e do exame de corpo de delito mencionados na publicação. A identidade dos supostos agressores também não foi divulgada no material consultado.
O espaço permanece aberto para manifestações dos envolvidos e das autoridades responsáveis pela apuração.
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