Aliado de Flávio Bolsonaro, Milton Leite saía da cadeia para almoçar; MP acha R$ 200 mil com carcereiro

Aliado de Flávio Bolsonaro, Milton Leite saía da cadeia para almoçar; MP acha R$ 200 mil com carcereiro
Milton Leite saia da cadeia. Na foto Milton leito, Tarcisio de Freitas e Ricardo Nunes - Leandro...

O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil), preso sob suspeita de envolvimento em um esquema de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público paulistano, saía da cadeia para almoçar fora e depois retornava à unidade prisional. A informação foi confirmada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) à CNN Brasil nesta sexta-feira (16).
Um vídeo teria registrado a saída e o retorno do político, segundo o Ministério Público. Um carcereiro também confirmou a informação aos investigadores. As descobertas integram a Operação Custódia (In)Fiel, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para investigar regalias concedidas a presos na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
Durante a operação, os investigadores apreenderam cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil com um carcereiro suspeito de facilitar os benefícios. Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles e confirmadas por outros veículos, aproximadamente R$ 150 mil e US$ 10 mil estavam na residência do funcionário. Outros R$ 4 mil foram encontrados nos bolsos dele durante as buscas na cadeia. Convertido em reais, o montante total supera R$ 200 mil.
A origem dos recursos e sua eventual relação com as regalias ainda são investigadas. Também foram encontrados dois celulares na cela de Milton Leite, conforme revelou a Folha de S.Paulo. Não foi esclarecido a quem pertenciam os aparelhos.
Milton Leite saía da cadeia para almoçar, segundo o Ministério Público
De acordo com informações confirmadas pelo MPSP à CNN Brasil, as imagens que mostram o ex-vereador deixando a prisão e retornando após o almoço contribuíram para a decisão de realizar as buscas. A emissora informou que não teve acesso à gravação.
A apuração começou depois de uma denúncia anônima sobre o tratamento dispensado aos presos da unidade. Entre as suspeitas estavam visitas de políticos e amigos em dias e horários não autorizados, inclusive à noite e nos fins de semana.
O Ministério Público identificou uma movimentação incomum de visitantes, muitos deles sem qualquer vínculo familiar com os detentos. Os investigadores apuram se funcionários públicos facilitaram a entrada dessas pessoas e a concessão de outros benefícios.
Segundo reportagem do Estadão, diligências realizadas nos dias 8 e 9 de outubro registraram a chegada de veículos à delegacia anexa à cadeia, incluindo uma caminhonete vinculada a uma empresa da família de Milton Leite.
A investigação também identificou uma movimentação em que o ex-vereador foi levado a uma área administrativa de acesso restrito da delegacia, permanecendo no local por aproximadamente uma hora. O motivo desse deslocamento não estava esclarecido nos documentos consultados pelo jornal.
Valdemar Costa Neto e deputados aparecem entre visitantes
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, está entre os políticos que visitaram Milton Leite durante o período de prisão. A visita foi confirmada pela investigação, segundo a CNN Brasil, e suas circunstâncias são analisadas pelos promotores.
Também aparecem entre os visitantes citados nas reportagens os deputados estaduais Delegado Olim (PP) e Rogério Franco (PL). A apuração busca esclarecer se os encontros ocorreram sem autorização formal e fora das regras da unidade.
Em nota divulgada pelo UOL, Delegado Olim confirmou a visita e afirmou que o encontro teve caráter institucional e político, destinado a tratar de assuntos relacionados à Federação União Progressista, integrada por União Brasil e PP. O parlamentar não esclareceu, naquela manifestação, se havia autorização formal para a entrada.
Até as publicações consultadas, não havia manifestação de Valdemar Costa Neto e Rogério Franco sobre as suspeitas de irregularidade nas visitas. A realização dos encontros, por si só, não comprova participação dos visitantes em crimes.
Operação investiga corrupção e favorecimento na cadeia
Autorizada pela Justiça, a Operação Custódia (In)Fiel cumpriu três mandados de busca e apreensão: na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, no 1º Distrito Policial do município e em uma residência vinculada ao carcereiro investigado.
O Gaeco apura possíveis crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e prevaricação. As diligências contaram com apoio da Polícia Militar, da Polícia Penal e da Corregedoria da Polícia Civil.
A Polícia Civil, responsável pela administração da unidade, informou que sua Corregedoria determinou inspeções na cadeia e na delegacia para verificar procedimentos administrativos e operacionais. A instituição afirmou que adotará as medidas cabíveis caso sejam constatadas irregularidades.
Prisão de Milton Leite e investigação sobre o PCC
Milton Leite está preso desde 18 de setembro, quando se apresentou à polícia após ser alvo da Operação Vectura Corrupta. A investigação apura a infiltração do PCC em empresas de ônibus de São Paulo e possíveis conexões da organização criminosa com agentes públicos e o financiamento de campanhas eleitorais.
O ex-presidente da Câmara é investigado por suspeita de atuar como articulador político do esquema e de ser o verdadeiro proprietário da Transwolff, empresa de transporte coletivo apontada pelas autoridades como uma das companhias sob influência da facção criminosa.
O político nega as acusações. Em declarações anteriores, afirmou não ter qualquer ligação com o PCC e negou ser proprietário da Transwolff. Sua prisão temporária foi prorrogada por mais 30 dias pela Justiça paulista nesta semana.
A relação política de Milton Leite com integrantes do governo paulista também já foi tema de reportagem da Revista Fórum, que mostrou os questionamentos de Fernando Haddad a Tarcísio de Freitas sobre o apoio à família do ex-vereador durante a campanha eleitoral.
As investigações sobre as supostas regalias na cadeia prosseguem sob sigilo. O episódio envolvendo as visitas e o dinheiro apreendido é uma apuração distinta daquela que investiga a relação do ex-vereador com o PCC.
A defesa de Milton Leite não havia apresentado manifestação específica sobre as regalias nas reportagens consultadas. O espaço permanece aberto para esclarecimentos dos envolvidos.

Ver mais

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!