Bolsonarista ameaça manifestantes, mas PM leva porteiro em panelaço contra Flávio, diz morador

Bolsonarista ameaça manifestantes, mas PM leva porteiro em panelaço contra Flávio, diz morador
Panelaço contra Flavio Bolsonaro. Porteiro é levado preso. - Frames reconstituidos via I.A

Um bolsonarista teria ameaçado moradores que participavam de um panelaço contra Flávio Bolsonaro (PL), mas quem acabou levado pela Polícia Militar foi o porteiro que protestava contra o candidato. O episódio ocorreu na noite de sexta-feira (16), no bairro da Ponta Verde, em Maceió (AL), durante a entrevista do senador à TV Globo.
Segundo o morador Felipe Verlaine, um homem que passava de carro começou a hostilizar os manifestantes, desceu do veículo, chamou os participantes para uma briga e tentou escalar a parede do edifício. O motorista teria acionado a polícia, mas os agentes acabaram conduzindo o trabalhador que participava do protesto.
A denúncia foi divulgada por Felipe nas redes sociais e relatada pelo portal Tribuna do Sertão. Vídeos da abordagem circulam no Instagram e provocaram acusações de repressão à livre manifestação. A polícia ainda não esclareceu publicamente o motivo da condução do porteiro.
Veja as imagens divulgadas pelo Jovens Pela Democracia:

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O caso também foi divulgado pelo perfil Esquerda Maceió, que publicou imagens relacionadas à ocorrência.
Veja a publicação do Esquerda Maceió:

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Bolsonarista teria ameaçado participantes do panelaço contra Flávio
O panelaço foi convocado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e ganhou as ruas durante a entrevista de Flávio Bolsonaro ao Jornal Nacional. Manifestações semelhantes foram registradas em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza e outras cidades.
Em Maceió, Felipe decidiu participar do protesto na frente do prédio onde mora. Levava uma panela e uma bandeira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O porteiro também aderiu à manifestação, ao lado de moradores e vizinhos.
Segundo seu depoimento, um motorista que passava pelo local reagiu ao protesto com gestos obscenos, xingamentos e ameaças.
Felipe conta que continuou balançando a bandeira de Lula, enquanto o porteiro passou a bater na panela com mais força para abafar as provocações.
O homem, então, teria parado o carro e descido para confrontar os manifestantes.
“Veio em nossa direção chamando pra briga, dizendo que queria brigar, que queria resolver aquilo na porrada”, contou Felipe.
Segundo o morador, a situação piorou quando o motorista tentou escalar a parede do prédio. Os participantes do panelaço não teriam aceitado a provocação.
O próprio homem apontado como responsável pelas ameaças teria acionado a Polícia Militar.
PM leva porteiro que participava do protesto
A chegada dos policiais teve um desfecho que provocou indignação entre os moradores: o porteiro acabou conduzido pelos agentes.
Vídeo divulgado pelo perfil Jovens Pela Democracia mostra o trabalhador, vestido com uma camisa azul, cercado por policiais no interior do edifício. Um dos agentes conversa com ele enquanto outros acompanham a abordagem.
Felipe afirma que os policiais chegaram a tentar algemar o porteiro. Ao perceber a situação, subiu ao apartamento e usou o interfone para chamar outros moradores, pedindo que descessem e registrassem a ocorrência.
O vídeo foi compartilhado com denúncias de possível violação de direitos humanos e questionamentos sobre o tratamento dado ao trabalhador.
Morador denuncia ameaças e questiona atuação da polícia
Após o episódio, Felipe gravou um depoimento detalhando o que havia ocorrido. O relato foi feito durante a madrugada de sábado (17), quando ele já estava em casa.
O morador afirma que existem registros das ameaças e que procurou a polícia para formalizar uma ocorrência contra o motorista.
Ele também menciona a lavratura de um termo circunstanciado, mas não esclarece contra quem o documento foi registrado ou qual infração teria motivado o procedimento.
O ponto central da denúncia é o tratamento dado ao porteiro: segundo a testemunha, o trabalhador não ameaçou ninguém, apenas participou de um protesto político, mas acabou sendo levado pelos policiais.
Ainda não há confirmação independente de que o motorista tenha sido identificado ou responsabilizado pelas ameaças denunciadas.
Assista ao depoimento de Felipe Verlaine:

Ver depoimento de Felipe Verlaine no Instagram

Liberdade de manifestação e falta de explicações
A condução do porteiro levanta questionamentos sobre a atuação da Polícia Militar durante manifestações políticas. A Constituição Federal garante a liberdade de expressão e o direito de reunião pacífica, direitos que não dependem da preferência partidária dos participantes.
O artigo 5º da Constituição assegura essas garantias e estabelece parâmetros para a atuação do poder público.
A polícia pode intervir diante de suspeitas de infração, mas a condução de qualquer pessoa precisa ter justificativa legal. Participar de um panelaço, por si só, não configura crime.
Também é necessário distinguir uma condução policial de uma prisão em flagrante. Embora publicações nas redes sociais afirmem que o porteiro foi preso, ainda não foi possível confirmar a formalização de uma prisão ou se o trabalhador permaneceu detido.
Até a conclusão desta reportagem, não foi localizada explicação oficial da Polícia Militar de Alagoas sobre os motivos da abordagem, a alegada tentativa de uso de algemas e o destino do trabalhador após ser levado pelos agentes.
O episódio ocorreu em meio à mobilização política para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.
O panelaço de sexta-feira, convocado por Janones, aconteceu poucos dias depois das decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que restringiram temporariamente o funcionamento do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado.
O canal foi suspenso após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e voltou a funcionar após novas decisões e o cumprimento de exigências da Justiça Eleitoral.
O espaço segue aberto para manifestações da Polícia Militar de Alagoas, da Secretaria de Estado da Segurança Pública e dos demais citados.

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