Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, treinou ao longo da semana com o marqueteiro Duda Lima e aliados como Nikolas Ferreira e Pablo Marçal uma estratégia de aparições atrás de Lula durante o debate.
O objetivo era produzir imagens de confronto para serem recortadas e distribuídas nas redes sociais, desviando a atenção do público das falas do presidente petista. Aliados do senador começaram a circular os vídeos ainda durante o programa.
Após o treinamento com as técnicas de coach de Marçal, Flávio Bolsonaro chegou ao debate da Band com uma tática definida e ensaiada: usar o espaço físico do estúdio para produzir conteúdo para as redes sociais.
A preparação incluiu simulações com controle de tempo ao longo de toda a semana, com perguntas e respostas dentro das regras previstas para o debate. No próprio domingo, o treinamento contou com a participação de Pablo Marçal e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), ambos presentes nos estúdios onde o debate foi realizado.
Execução da tática e exemplos
Durante o debate, Flávio adotou como principal recurso visual circular atrás de Lula enquanto o presidente respondia a perguntas e se dirigia aos telespectadores. O senador fazia gestos negativos com a cabeça, mantinha expressão fechada e reagia com o rosto às declarações do petista. A movimentação foi proposital e integrava a preparação para gerar imagens recortáveis para a internet.
Vídeos distribuídos nas redes mostram Pablo Marçal, da plateia, orientando o candidato.
https://x.com/guilherme_amado/status/2111988929364652044
O momento mais explícito da tática ocorreu na discussão sobre saúde. Após defender que o SUS tivesse o padrão do Hospital Albert Einstein e indicar Claudio Lottenberg para o Ministério da Saúde em eventual governo, Flávio permaneceu atrás de Lula mesmo depois de concluir sua fala. Enquanto o presidente ainda estava com a palavra, o senador gesticulou com o dedo indicador em sinal de discordância, tornando a estratégia visível para as câmeras.
Rede do ódio
Ainda durante o programa, aliados de Flávio começaram a distribuir os vídeos com esses momentos por mensagens e nas plataformas digitais, em uma releitura do gabinete do ódio. A distribuição imediata fazia parte do plano: o conteúdo foi produzido para circular em tempo real, ampliando o alcance das reações do senador para além do público que assistia ao debate ao vivo.
Segundo um auxiliar do candidato, ouvido pela reportagem d’O Globo, a estratégia também serviu para tirar o foco das falas de Lula, desviando a atenção do público para os gestos e expressões de Flávio enquanto o petista discursava. A equipe ainda identificou potencial de repercussão em declarações de Lula sobre os cariocas e espera que isso contribua para reduzir a busca de votos do presidente no estado.
Debate da Band: Flávio Bolsonaro treinou aparições atrás de Lula com marqueteiro, Marçal e Nikolas para produzir cortes
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