Da prisão, Silvinei Vasques indica nomes para a PRF em eventual governo Flávio Bolsonaro

Da prisão, Silvinei Vasques indica nomes para a PRF em eventual governo Flávio Bolsonaro
Silvinei Vasques ao ser preso no Paraguai - Fotos: Polícia do Paraguai

O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, condenado a 24 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e preso na Papudinha, em Brasília, desde dezembro, encaminhou à família Bolsonaro uma lista com indicações para a chefia da corporação. Segundo apuração de coluna do jornal O Globo, a lista foi destinada a Carlos Bolsonaro (PL) e prevê os nomes para o caso de Flávio Bolsonaro vencer a eleição presidencial. Os três indicados ocuparam posições estratégicas na PRF durante o governo Jair Bolsonaro.
Silvinei Vasques envia lista de indicados para a PRF
Mesmo atrás das grades, Silvinei Vasques não abandonou a articulação política. O ex-chefe da PRF encaminhou à família Bolsonaro uma lista com nomes para assumir o comando da corporação, tendo como destinatário Carlos Bolsonaro (PL), senador eleito por Santa Catarina.
A movimentação chama atenção por seu caráter: trata-se de um ex-dirigente condenado por participação na tentativa de ruptura democrática tentando influenciar a escolha de quem vai comandar uma das principais forças policiais do país. Vasques cumpre pena de 24 anos de prisão na Papudinha, em Brasília, desde dezembro, e sua condenação por tentativa de golpe não impediu que mantivesse canais de interlocução com o clã Bolsonaro.
Os nomes sugeridos e seus históricos
Os três nomes indicados por Vasques têm em comum passagens por posições de comando na PRF durante o governo Jair Bolsonaro. O primeiro é Wilmen Silva Vieira, que foi diretor de Administração e Logística da corporação exatamente no período em que Vasques ocupava a direção-geral, compondo o núcleo central da gestão bolsonarista na instituição.
O segundo nome é Jean Coelho, que atuou como diretor-executivo da PRF e foi exonerado em 2022 para exercer função em Washington. A saída ocorreu após a comoção nacional provocada pelo assassinato de Genivaldo de Jesus Santos, morto por asfixia durante abordagem de policiais rodoviários federais em Sergipe, episódio que intensificou as críticas aos procedimentos da corporação naquele período.
O terceiro indicado é Fábio Elissandro Cassimiro Ramos, que dirigiu o Comando de Operações Especializadas e de Fronteira (COE) da PRF na gestão Bolsonaro. Ramos chegou a ser cotado para assumir a direção-geral da instituição antes de Vasques ser escolhido para o cargo. Os três perfis apontam para uma tentativa de recompor, em eventual novo governo, o quadro de comando que marcou a PRF entre 2019 e 2022.
Implicações da articulação política
A condenação de Vasques por tentativa de golpe torna a articulação politicamente sensível de forma objetiva: um ex-dirigente que o Judiciário responsabilizou por atentar contra a ordem democrática tenta, da prisão, orientar decisões sobre a chefia de uma força policial com atuação nacional.
Carlos Bolsonaro, destinatário da lista, já havia demonstrado essa proximidade de forma pública. No início do ano, após visitar o pai, Jair Bolsonaro, na Papudinha, onde o ex-presidente estava preso junto com Vasques, Carlos criticou abertamente a prisão do ex-chefe da PRF e do ex-ministro da Justiça Anderson Torres.
Até o momento, não há confirmação de que Flávio Bolsonaro tenha aceitado as sugestões ou assumido qualquer compromisso com os nomes apresentados. Não há registro de manifestação pública de Flávio sobre o assunto.

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