Em meio à disputa global pelo controle de minerais estratégicos, Flávio Bolsonaro (PL) defende aproximar as reservas brasileiras de terras raras dos interesses econômicos dos Estados Unidos. O candidato à Presidência já apresentou publicamente o Brasil como uma alternativa para Washington reduzir sua dependência da China e prometeu uma parceria de longo prazo com o governo de Donald Trump para o setor.
A posição foi explicitada em março, durante a CPAC, conferência conservadora realizada nos Estados Unidos. Na ocasião, Flávio afirmou que o Brasil seria “a solução para os Estados Unidos quebrarem a dependência da China por minerais críticos, especialmente terras raras”.
Dois meses depois, em maio, o então pré-candidato voltou ao assunto após ser recebido por Trump na Casa Branca. Flávio afirmou ter apresentado ao presidente norte-americano a posição brasileira no mercado de minerais críticos e prometeu, caso eleito, uma “parceria estratégica de longo prazo” entre os dois países, com investimentos e “reindustrialização compartilhada”.
Disputa vai além da extração
O interesse norte-americano ocorre em meio à tentativa dos Estados Unidos de reduzir sua dependência da China nas cadeias de minerais críticos. Esses elementos são utilizados em setores como inteligência artificial, veículos elétricos, energia, semicondutores e equipamentos militares.
O Brasil ocupa posição estratégica nessa disputa por possuir uma das maiores reservas conhecidas de terras raras do mundo.
A questão, entretanto, não se limita a retirar minerais do solo. O processamento, o refino e a industrialização são etapas decisivas para determinar quanto valor econômico permanece no país produtor.
É justamente nesse ponto que a política para os minerais críticos ganhou dimensão de soberania nacional. Em setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que também criou um conselho voltado à industrialização desses recursos.
Flávio Bolsonaro quer entregar as terras raras para os EUA?
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