O discurso de Jair Bolsonaro em defesa da ampliação do acesso às armas deixou números expressivos. Durante os quatro anos em que esteve no Palácio do Planalto, mais de 1,35 milhão de novas armas foram compradas por particulares no Brasil, segundo levantamento dos institutos Sou da Paz e Igarapé feito a partir de dados da Polícia Federal e do Exército.
O ritmo acelerou ano após ano. Foram cerca de 140 mil novas armas em 2019, 268 mil em 2020, 393 mil em 2021 e 553 mil somente em 2022, último ano do governo Bolsonaro.
O resultado foi uma mudança de escala no arsenal particular brasileiro. O país tinha cerca de 1,32 milhão de armas particulares registradas em 2018. Ao final de 2022, esse acervo se aproximava de 3 milhões.
CACs puxaram explosão do arsenal
O crescimento foi especialmente intenso entre caçadores, atiradores e colecionadores (CACs), uma das categorias mais beneficiadas pelas mudanças promovidas durante o governo Bolsonaro.
Em 2018, CACs possuíam aproximadamente 350 mil armas. Em 2022, esse arsenal havia chegado a cerca de 1,26 milhão.
Somente naquele último ano, CACs compraram mais de 431 mil novas armas. Para comparação, em 2018 haviam sido adquiridas cerca de 59 mil pelo grupo.
O salto ocorreu em meio a dezenas de mudanças regulatórias editadas durante a gestão Bolsonaro. As medidas ampliaram limites para aquisição de armamentos e munições e facilitaram o acesso de CACs a armas de maior poder ofensivo.
Mais armas, menos fiscalização
Enquanto o número de CACs e de armas aumentava, a capacidade de fiscalização não acompanhou o mesmo ritmo.
Dados obtidos pelo Instituto Sou da Paz mostram que, em 2019, o Exército fiscalizou aproximadamente 7% dos CACs registrados. Em 2022, esse percentual havia caído para apenas 2,7%.
Os desvios também entraram no radar dos órgãos de controle. Levantamentos posteriores apontaram milhares de registros de armas de CACs roubadas, furtadas ou extraviadas.
Os dados evidenciam um desafio que cresceu junto com o arsenal: fiscalizar, controlar e rastrear um volume muito maior de armas em circulação.
Quatro anos depois, o armamentismo volta à discussão política em meio à eleição presidencial disputada por Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O legado do período Bolsonaro pode ser medido não apenas pelo número de pessoas autorizadas a possuir armas, mas pelo tamanho do arsenal acumulado. Entre 2018 e 2022, o estoque particular registrado passou de aproximadamente 1,32 milhão para quase 3 milhões de unidades.
A expansão ocorreu ao mesmo tempo em que regras de acesso foram flexibilizadas e o percentual de CACs fiscalizados pelo Exército caiu. Esses dados ajudam a dimensionar o alcance concreto da política armamentista implementada entre 2019 e 2022 — e os desafios de controle que permaneceram depois dela.
1 milhão de armas e 1,1 bilhão de balas: os assustadores números do governo Bolsonaro
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