Flávio Bolsonaro defendeu raspagem de munições para não identificar assassinos

Flávio Bolsonaro defendeu raspagem de munições para não identificar assassinos
- Flávio Bolsonaro. Anderson Romao/AGIF (Photo by Anderson/AGIF via AFP)

Enquanto apresenta o combate à criminalidade como uma das principais bandeiras de sua campanha, Flávio Bolsonaro (PL) já defendeu o avanço de um projeto que poderia dificultar o rastreamento de munições encontradas em cenas de crimes.
A proposta prevê retirar exigências de identificação de munições adquiridas por órgãos de segurança pública. A marcação permite rastrear lotes de cartuchos e pode auxiliar investigações sobre a origem da munição, inclusive em casos envolvendo suspeitas de desvios de arsenais policiais.
A mudança está prevista no Projeto de Lei 3.723/2019, apresentado durante o governo de Jair Bolsonaro. O texto original enviado pelo Executivo foi posteriormente modificado na Câmara dos Deputados, onde foi incluída a retirada de dispositivos relacionados à identificação das munições. Flávio defendeu o avanço da proposta quando ela chegou ao Senado.
Em entrevista à TV Globo, no dia 16 de outubro, o candidato foi questionado sobre a retirada do mecanismo e minimizou sua importância.
“Isso é muito maior do que qualquer detalhezinho desse em cima de uma cápsula. A polícia tem que investigar”, afirmou.
Marcação ajudou na investigação da morte de juíza
A utilidade do rastreamento ficou evidente em um dos crimes de maior repercussão do Rio de Janeiro: o assassinato da juíza Patrícia Acioli, executada com 21 tiros em agosto de 2011.
Durante a investigação, a identificação presente nas cápsulas encontradas na cena do crime permitiu rastrear a procedência da munição e relacioná-la a lotes adquiridos pela Polícia Militar do Rio de Janeiro. A informação ajudou a direcionar a investigação para policiais envolvidos no assassinato.
O caso também expôs limitações do modelo de rastreamento, como o grande número de cartuchos que podia integrar um mesmo lote. Ainda assim, a marcação permitiu aos investigadores estabelecer a origem do material.
O mecanismo pode ser especialmente relevante em investigações nas quais há suspeitas de participação de agentes públicos ou de desvio de munições adquiridas oficialmente pelas forças de segurança.
Tema chegou à campanha presidencial
A discussão sobre o rastreamento voltou ao centro da campanha presidencial de 2026. Durante o debate de domingo (18), Lula (PT) confrontou Flávio sobre sua posição em relação à proposta.
O episódio recuperou uma discussão que já havia aparecido na sabatina da Globo dois dias antes, quando Flávio classificou a identificação das cápsulas como um “detalhezinho” diante dos problemas da segurança pública.
O PL 3.723/2019 foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 2019, mas não concluiu sua tramitação no Senado. Com isso, a alteração que retiraria as exigências de identificação das munições não entrou em vigor.

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