Ônibus retidos, embarques negados e pedido de prisão marcam eleição em Salvador

Ônibus retidos, embarques negados e pedido de prisão marcam eleição em Salvador
Passageiros embarcam em ônibus lotado; denúncias de ônibus retidos marcam eleição em Salvador

Ônibus retidos em garagens, terminais lotados, longas esperas e denúncias de dificuldades para embarcar rumo ao interior da Bahia marcaram a manhã deste domingo (25), durante o segundo turno das eleições presidenciais em Salvador. A situação levou a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, a pedir à Justiça Eleitoral a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, além da intervenção da Polícia Federal para garantir a circulação dos coletivos.
O problema foi confirmado pela própria Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), que reconheceu a retenção de ônibus na garagem G5, no bairro do Caminho de Areia, e ocorrências em outras garagens da capital baiana. Enquanto os veículos permaneciam parados, eleitores relatavam dificuldades para chegar aos locais de votação.
Segundo a federação partidária, fotografias e vídeos apresentados à Justiça Eleitoral mostram dezenas de ônibus estacionados nas garagens às 11h05, quando as urnas já estavam abertas havia mais de três horas. A entidade afirma que a frota em circulação estava mais de 50% abaixo da operação habitual, percentual ainda não confirmado de forma independente.
Ônibus retidos em Salvador deixam eleitores à espera
Desde o início da votação, passageiros denunciam a falta de coletivos em diferentes regiões de Salvador. Há registros de longas esperas, ônibus superlotados e pontos com grande concentração de pessoas.
As reclamações atingem bairros como Lobato, Plataforma, Calçada, São Rafael, Mussurunga, Brotas, Itapuã, Cabula, Liberdade, Arenoso, Cajazeiras, São Marcos e Santa Cruz, além de outras regiões da capital.
Imagens divulgadas neste domingo também mostram passageiros aguardando transporte nos terminais da Lapa e de Águas Claras, em meio às dificuldades para chegar aos locais de votação.
A retenção dos ônibus foi relacionada pela Prefeitura a um episódio de colocação de adesivos eleitorais nos veículos. A Semob afirmou ter iniciado negociações com representantes sindicais para restabelecer o serviço.
O secretário Pablo Souza declarou que determinou a liberação dos coletivos mesmo quando a retirada dos adesivos ainda não estivesse concluída.
Veja registros e manifestações publicados nas redes sociais durante a votação:
https://x.com/euvitty/status/2114357400555892801
https://x.com/wallaceteix/status/2114371709499240796
Passageiros relatam dificuldades para embarcar rumo ao interior da Bahia
As reclamações sobre o transporte também chegaram à Rodoviária de Salvador. Relatos divulgados na manhã deste domingo apontam que passageiros com destino ao interior receberam informações de que não conseguiriam embarcar.
Em um dos episódios relatados, um grupo teria conseguido entrar nos ônibus depois de se dirigir à frente dos veículos, enquanto outros passageiros continuavam sem conseguir viajar.
O problema ocorre durante a operação especial de transporte gratuito organizada pelo Governo da Bahia para garantir o deslocamento dos eleitores aos municípios onde votam.
Segundo balanço oficial da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), até a manhã de sábado (24) haviam sido emitidas 46.132 passagens intermunicipais gratuitas, com aproximadamente 1.200 horários extras disponibilizados para atender à demanda.
A agência já havia reconhecido que algumas empresas e destinos atingiram temporariamente o limite de capacidade operacional, mesmo com o reforço da frota. Nessas situações, a emissão de novas passagens pode ficar momentaneamente indisponível.
Ainda não há confirmação de que as dificuldades relatadas na rodoviária tenham relação direta com a retenção dos ônibus municipais de Salvador. Os dois serviços possuem administrações e operações distintas.
PT pede prisão de secretário e multa de R$ 1 milhão por hora
A Federação Brasil da Esperança acionou o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) e pediu a prisão em flagrante do secretário Pablo Souza, sob a alegação de que a redução do transporte público estaria dificultando o exercício do voto.
Na petição, a federação sustenta que ônibus permaneceram recolhidos mesmo com a votação em andamento, o que poderia configurar infração eleitoral. A representação apresenta imagens de veículos estacionados e solicita providências urgentes da Justiça.
Além da prisão do secretário, os advogados pedem multa de R$ 1 milhão por hora contra a Prefeitura, os responsáveis pela mobilidade municipal e os proprietários das empresas de ônibus enquanto persistir a situação denunciada.
A federação também solicita a presença da Polícia Federal nas garagens para assegurar a liberação dos coletivos, a condução do secretário à autoridade policial como medida alternativa e o encaminhamento dos fatos à Procuradoria Regional Eleitoral.
O pedido consta no processo nº 0604629-13.2026.6.05.0000. Até as informações disponíveis nesta atualização, não havia confirmação de decisão judicial determinando a prisão ou a aplicação da multa.
Prefeito reconhece retenção de 75 ônibus e contesta acusações
O prefeito Bruno Reis (União Brasil) reconheceu que 75 ônibus ficaram retidos durante a manhã, mas negou que a administração municipal tenha adotado medidas para impedir o deslocamento dos eleitores.
Segundo o prefeito, integrantes do movimento sindical teriam colocado adesivos eleitorais nos veículos, provocando um impasse operacional. Bruno Reis sustenta que a frota havia sido disponibilizada e que os ônibus foram liberados após providências relacionadas à propaganda eleitoral.
O secretário Pablo Souza também admitiu os atrasos e pediu desculpas à população. Ele afirmou que mais de 90% da frota já havia deixado as garagens no momento de sua declaração.
O percentual informado pelo secretário não foi acompanhado de dados independentes sobre quantos veículos efetivamente estavam circulando e atendendo os passageiros.
As responsabilidades pela retenção dos ônibus, assim como a eventual existência de infração eleitoral, dependem da apuração das autoridades competentes.
Redução do transporte durante a votação pode configurar crime eleitoral
A legislação eleitoral determina que o transporte coletivo seja gratuito nos dias de votação, com frequência equivalente à dos dias úteis.
O artigo 23, parágrafo 5º, da Resolução nº 23.751/2026 do Tribunal Superior Eleitoral estabelece que a redução do serviço público de transporte habitualmente oferecido no dia da eleição pode configurar os crimes previstos nos artigos 297 e 304 do Código Eleitoral.
O artigo 297 trata de impedir ou dificultar o exercício do voto. Já o artigo 304 prevê punição para quem ocultar, sonegar ou recusar o fornecimento normal de meios de transporte no dia da eleição.
A eventual aplicação dessas normas exige apuração sobre as circunstâncias da redução do serviço e a responsabilidade dos envolvidos.
A questão do transporte público também provocou decisões judiciais em São Paulo, onde a Justiça determinou que a Prefeitura de Ricardo Nunes garantisse a operação integral da frota durante a votação, conforme mostrou a Revista Fórum.
Eleitores podem denunciar dificuldades de transporte
Em Salvador, a gratuidade dos ônibus convencionais, do BRT e do sistema complementar está prevista das 6h às 20h neste domingo.
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia orienta que problemas para chegar aos locais de votação por falta de transporte sejam denunciados ao Ministério Público Eleitoral ou à Defensoria Pública do Estado.
As denúncias podem ser encaminhadas ao e-mail eleicoes2026@defensoria.ba.def.br. Para problemas com o transporte intermunicipal, a Agerba disponibiliza a Ouvidoria pelo telefone 0800 071 0080.
A votação termina às 17h, no horário de Brasília. Os eleitores que estiverem nas filas das seções eleitorais até esse horário têm o direito de votar assegurado.

Ver mais

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!