Flávio Bolsonaro tem passaporte italiano e pode fugir para lá, alerta deputado daquele país à Fórum

Flávio Bolsonaro tem passaporte italiano e pode fugir para lá, alerta deputado daquele país à Fórum
Flávio Bolsonaro em ato da ultradireita na Itália; senador tem passaporte italiano - Reprodução / Youtube

Em meio às informações de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estaria em um voo para os Estados Unidos, após deixar o Brasil clandestinamente, o deputado italiano Angelo Bonelli, da Aliança Verdes e Esquerda (AVS), chamou a atenção da Revista Fórum para outra possibilidade de destino do senador: a Itália, país do qual também é cidadão e possui passaporte.
Bonelli entrou em contato diretamente com o jornalista Ivan, da Fórum, nesta terça-feira (27), quando aliados de Flávio passaram a relatar que o candidato derrotado por Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais havia fugido com a família, apesar de estar proibido de deixar o Brasil por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Gostaria de informar que Flávio Bolsonaro tem passaporte italiano, concedido a ele em 2023, durante o governo Meloni”, afirmou o parlamentar, referindo-se à gestão da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni.
O deputado encaminhou registros oficiais do Parlamento italiano que comprovam a cidadania de Flávio. O documento estrangeiro ganha relevância porque Moraes determinou a entrega de todos os passaportes do senador, inclusive aqueles emitidos por outros países.
Embora as informações mais recentes apontem os Estados Unidos como destino da possível fuga, a nacionalidade italiana oferece a Flávio outra possibilidade de deslocamento internacional. Não há, entretanto, informação de que ele tenha planejado seguir para a Itália.
Aliados dizem que Flávio está a caminho dos EUA
As informações sobre a fuga ganharam força na tarde desta terça-feira. Segundo relatos atribuídos a pessoas próximas à família Bolsonaro, o senador já estaria a bordo de um avião em direção aos Estados Unidos. O voo chegaria ao destino nas próximas horas.
Como noticiou a Revista Fórum, interlocutores do senador afirmam que a saída foi organizada depois da decisão de Moraes, anunciada na segunda-feira (26). Até o momento, porém, não há confirmação oficial da viagem ou da chegada de Flávio ao território norte-americano.
A suspeita começou durante a madrugada, quando o portal argentino Infobae publicou que Flávio teria atravessado a fronteira entre Brasil e Argentina, seguindo até Puerto Iguazú, de onde embarcaria em um jatinho particular com destino aos EUA.
A informação levou a Polícia Federal a procurar autoridades argentinas e verificar os registros de migração. O governo de Javier Milei negou que o senador tenha entrado no país e informou não haver plano de voo com integrantes da família Bolsonaro.
Enquanto isso, aliados e integrantes do PL relataram dificuldades para localizar Flávio. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha presidencial, negou inicialmente que ele tivesse saído do Brasil. Eduardo Bolsonaro também contestou a notícia.
Passaporte italiano está entre documentos exigidos por Moraes
Na segunda-feira, Moraes determinou que Flávio entregasse à Polícia Federal seus passaportes comum e diplomático, além de eventuais documentos de outras nacionalidades. A decisão também proibiu o senador de deixar o território brasileiro.
O prazo de 24 horas terminou às 11h desta terça-feira sem que os documentos fossem apresentados. A PF cancelou os passaportes brasileiros de Flávio e deverá comunicar ao STF o descumprimento da determinação.
A existência da cidadania italiana de Flávio e de seus irmãos Eduardo e Carlos já havia sido confirmada pelo governo Meloni em junho de 2025, em resposta a uma interpelação apresentada por Bonelli no Parlamento italiano.
Na ocasião, o governo informou que Flávio e Eduardo haviam obtido o reconhecimento da cidadania em 2023 e Carlos, em 2024. Os registros confirmam a dupla nacionalidade, enquanto a informação sobre a posse do passaporte italiano foi reiterada por Bonelli diretamente à Fórum nesta terça-feira.
O documento estrangeiro não afasta a determinação de Moraes nem impediria medidas de cooperação judicial entre Brasil e Itália. A eventual utilização de outra nacionalidade para deixar o país, caso confirmada, também precisaria ser examinada pelas autoridades brasileiras.
A decisão que restringiu as viagens de Flávio foi tomada no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam irregularidades.
Na segunda-feira, antes dos relatos sobre a possível fuga, Flávio havia afirmado que nunca pensou em sair do Brasil e que cumpriria a ordem judicial. Desde então, seu paradeiro permanece sem confirmação pública independente.

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