Uma declaração de voo divulgada nesta quarta-feira (28) pelo jornalista argentino Pablo Duggan confirma documentalmente a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de domingo (25), na lista de passageiros do jatinho que deixou a Argentina em direção ao Equador durante a madrugada. A informação coincide com os registros migratórios divulgados oficialmente pelo governo argentino.
O documento, publicado por Duggan na rede social X, identifica Flávio, sua mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as duas filhas do casal entre os quatro passageiros de um voo privado operado pela empresa Baires Fly S.A.
A declaração registra a aeronave de matrícula argentina LV-JQW, um Gulfstream G400, com origem no Aeroporto Internacional Cataratas del Iguazú, em Puerto Iguazú, e destino ao Aeroporto Internacional José Joaquín de Olmedo, em Guayaquil, no Equador.
O formulário apresenta carimbos de controle aeroportuário e verificação documental datados de 28 de outubro de 2026. Seus principais dados coincidem com a confirmação oficial da Direção Nacional de Migrações da Argentina.
Veja a publicação do jornalista argentino:
https://x.com/pabloduggan/status/2115425833997459840
Flávio aparece como italiano na declaração de voo
Um dos detalhes da declaração é a nacionalidade registrada para o senador. No manifesto, seu nome aparece como “NANTES BOLSONARO FLAVIO”, com a indicação “ITA”, correspondente à Itália. Os outros três integrantes da família estão identificados como brasileiros.
O registro chama atenção porque a fuga aconteceu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes de Flávio, incluindo eventuais documentos estrangeiros, e proibir sua saída do Brasil.
O senador possui cidadania italiana e passaporte emitido pelo país europeu. A declaração de voo indica sua nacionalidade italiana e registra um documento de viagem associado a ela, mas não esclarece qual documento foi utilizado na travessia terrestre entre Brasil e Argentina.
Além dos quatro passageiros, o formulário registra três integrantes da tripulação, identificados como dois pilotos e um tripulante de cabine, todos argentinos. Parte dos dados pessoais da tripulação aparece encoberta na imagem divulgada.
Governo argentino confirmou entrada pela fronteira brasileira
Horas antes da divulgação do manifesto, a Direção Nacional de Migrações da Argentina já havia confirmado que Flávio Bolsonaro e sua família ingressaram no país às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones.
Segundo o órgão, os quatro apresentaram documentação de viagem válida e não encontraram impedimentos legais para ingressar em território argentino.
O comunicado também informou que a família embarcou às 23h30 em uma aeronave privada operada pela Baires Fly S.A., com destino declarado a Guayaquil, no Equador.
O avião decolou efetivamente de Puerto Iguazú por volta de 0h20 de quarta-feira (28), conforme os registros de monitoramento aéreo. A diferença entre a data de partida indicada no formulário e o horário da decolagem é compatível com a operação iniciada antes da meia-noite.
A confirmação oficial desmentiu informações disseminadas durante a terça-feira de que o senador já teria chegado aos Estados Unidos. Na realidade, Flávio permaneceu em território brasileiro até a noite, atravessando a fronteira pouco antes do embarque.
Jatinho seguiu do Equador para os Estados Unidos
Depois de deixar a Argentina, o Gulfstream G400 realizou uma escala em Guayaquil, onde pousou na manhã desta quarta-feira.
O monitoramento da aeronave de matrícula LV-JQW registrou uma nova decolagem do Equador, por volta das 6h22, com destino ao aeroporto executivo de Opa-locka, na região de Miami, nos Estados Unidos.
A rota do jatinho evitou o espaço aéreo brasileiro. Na manhã desta quarta, os sistemas de rastreamento indicavam previsão de chegada à Flórida por volta das 10h40, no horário de Brasília.
A Fórum já havia noticiado o deslocamento do avião rumo aos Estados Unidos, em meio às informações sobre a saída do senador do Brasil após a derrota eleitoral.
Fuga ocorreu após ordem de Moraes
A saída de Flávio Bolsonaro do país ocorreu depois de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou o recolhimento de seus passaportes e impôs restrição à sua saída do território nacional.
A medida foi adotada no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.
Flávio foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus documentos de viagem, incluindo passaportes brasileiros, diplomáticos e eventuais documentos estrangeiros. Como a entrega não ocorreu no prazo estabelecido, a PF cancelou os passaportes brasileiros.
Apesar da restrição judicial, o senador atravessou a fronteira e embarcou na aeronave particular acompanhado da família.
O governo argentino, comandado por Javier Milei, havia negado inicialmente a entrada de Flávio no país. A versão foi modificada na madrugada desta quarta-feira, quando o órgão migratório confirmou oficialmente o deslocamento.
O manifesto divulgado por Pablo Duggan acrescenta à confirmação governamental o registro individual dos passageiros, a identificação da aeronave, a empresa operadora e a nacionalidade italiana atribuída ao senador. A documentação reforça a reconstrução da rota utilizada por Flávio para deixar o Brasil após a derrota para Lula.
Declaração de voo confirma fuga de Flávio Bolsonaro pela Argentina
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