Enquanto a Polícia Federal (PF) rastreava as fronteiras e aliados tentavam despistar investigadores com mentiras e informações desencontradas sobre seu paradeiro, Flávio Bolsonaro (PL), a esposa Fernanda e as duas filhas do casal estariam em uma propriedade rural – chácara ou fazenda – em Foz do Iguaçu.
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A cidade faz fronteira com Argentina e Paraguai e é administrada pelo general da reserva Joaquim Silva e Luna (PL), aliado da família Bolsonaro, ex-dirigente de Itaipu e da Petrobras e articulador regional da campanha presidencial do senador.
Segundo o canal C5N, da Argentina, Flávio teria chegado à região da Tríplice Fronteira na noite de segunda-feira (26), vindo de Brasília, e permanecido em uma propriedade rural enquanto aguardava o momento de cruzar fronteira.
A localização da chácara não foi divulgada, tampouco a identidade de seu proprietário ou de quem teria recebido o senador e sua família.
Segundo informações apuradas pela Fórum, Flávio Bolsonaro teria se deslocado com a família de Brasília a Foz do Iguaçu em um avião do amigo Willer Tomaz. Os dois são investigados pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro, inquérito que foi um dos motivos alegados pelos investigadores para pedir a apreensão do passaporte do senador.
Flávio Bolsonaro, no entanto, teria usado um passaporte italiano para cruzar a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones.
A Fórum enviou perguntas ao general Silva e Luna sobre a permanência de Flávio Bolsonaro na cidade durante as buscas da Polícia Federal, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.
De acordo com a Direção Nacional de Migrações da Argentina, o senador atravessou a fronteira às 22h50, acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas, Carolina e Luiza.
Às 23h30, os quatro embarcaram em um voo privado operado pela Baires Fly S.A., com destino declarado a Guayaquil, no Equador.
A aeronave, um Gulfstream G400 de matrícula argentina LV-JQW, estava em Puerto Iguazú desde segunda-feira e decolou por volta de 0h20 de quarta-feira (28). Flávio e família chegaram a Miami, nos EUA, por volta das 10h18.
General de Bolsonaro comanda Foz
A cidade escolhida como ponto de passagem para a Argentina é governada desde janeiro de 2025 pelo general da reserva Joaquim Silva e Luna, um dos militares que ocuparam postos estratégicos durante o governo Jair Bolsonaro.
Silva e Luna comandou a diretoria-geral brasileira da Itaipu Binacional entre 2019 e 2021, após ser nomeado no início do governo Bolsonaro.
Em seguida, foi escolhido para presidir a Petrobras, cargo que ocupou entre 2021 e 2022, até ser substituído em meio às divergências sobre a política de preços dos combustíveis.
Antes de integrar o governo Bolsonaro, Silva e Luna havia sido ministro da Defesa na gestão Michel Temer.
Em 2024, foi eleito prefeito de Foz do Iguaçu pelo PL, partido da família Bolsonaro, e passou a exercer também um papel de articulação eleitoral na região oeste do Paraná.
A relação política com Flávio não se limitou ao apoio público durante a campanha presidencial.
Reportagem publicada pelo Diário de Foz em 26 de setembro identificou expressamente Silva e Luna como coordenador das campanhas de Sergio Moro ao governo estadual e de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Com Moro durante a apuração
No domingo (25), enquanto os brasileiros votavam no segundo turno da eleição presidencial, Silva e Luna esteve em Curitiba para acompanhar a apuração eleitoral ao lado de Sergio Moro.
“Já estamos aqui em Curitiba, com nosso governador Sérgio Moro, para acompanhar a apuração dos votos”, escreveu no domingo, com foto ao lado do ex-juiz da Lava Jato.
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Um post compartilhado por General Joaquim Silva e Luna (@generalsilvaeluna)
Após a derrota de Flávio Bolsonaro, Silva e Luna voltou às redes, compartilhou uma mensagem que, segundo ele, mandou “para uma pessoa que estava precisando ouvir” e afirmou que “o trabalho continua”. “Seguimos em frente”, concluiu.
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A publicação ocorreu horas antes do momento em que Flávio Bolsonaro teria chegado em Foz do Iguaçu, no primeiro trecho da fuga.
A Fórum entrou em contato com o general para saber se ele tinha conhecimento da presença de Flávio Bolsonaro e se auxiliou no esconderijo do senador, mas ainda não obteve resposta.
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