Governo contabiliza 45 casos de violência política durante eleições; 10 resultaram em mortes

Governo contabiliza 45 casos de violência política durante eleições; 10 resultaram em mortes
- Guilherme Boulos - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O governo federal informou nesta quarta-feira (28) que acompanha 45 casos de violência política registrados desde o sábado (24), véspera do segundo turno das eleições, que resultaram em 10 mortes. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, apresentou o balanço em coletiva no Ministério da Justiça, em Brasília, e anunciou medidas de responsabilização que incluem atuação da Polícia Federal, acionamento de corregedorias estaduais e a possibilidade de federalização dos casos em que os estados não cumprirem seu papel investigativo.
Os números apresentados por Boulos revelam uma escalada de agressões concentrada no período que vai da véspera do segundo turno ao pós-proclamação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Das 10 mortes contabilizadas, três eram de indígenas. Os ataques se intensificaram após o resultado do pleito, segundo o próprio ministro.
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“Isso é inadmissível. As medidas que vamos anunciar aqui vêm de uma sociedade que não tolera violência política. Isso não cabe na democracia, isso é próprio de barbárie. Não pode e não ficará impune”, afirmou Boulos. 
O levantamento detalha os tipos de violência: sete atropelamentos intencionais, 14 agressões físicas (espancamentos e esfaqueamentos), cinco atentados com arma de fogo, cinco casos de violência e coação contra povos indígenas e seis casos de abuso de autoridade e violência policial. Os estados com mais registros foram Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina.
Medidas e responsabilização
O governo anunciou que acompanhará a apuração de todos os episódios e cobrará a responsabilização dos envolvidos. A Polícia Federal ficará responsável pelos crimes de competência federal, enquanto os crimes comuns permanecerão sob responsabilidade das autoridades estaduais. Nos casos com suspeita de violência policial, o Ministério da Justiça acionará as corregedorias das polícias estaduais, acompanhará as investigações administrativas e pedirá o afastamento dos policiais envolvidos.
A federalização das apurações é uma possibilidade concreta caso os estados não atuem de forma adequada. Segundo a secretária de Acesso à Justiça do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Sheila de Carvalho, a lei brasileira permite que crimes sejam alçados à competência federal quando houver grave violação dos direitos humanos.
O secretário-executivo da pasta, Ademar Borges, acrescentou que o ministério também recebeu denúncias de crimes de ódio, intolerância e discriminação no ambiente digital, e que a Força Nacional atua para garantir a segurança de grupos indígenas ameaçados.
Violência política no 2º turno: morte, espancamento e ataques a apoiadores de Lula
violência política registrada na reta final do segundo turno das eleições de 2026 deixou mortos, feridos e uma sequência de denúncias de agressões contra apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no último domingo (25). Entre os episódios documentados estão a morte de uma mulher atropelada enquanto aguardava uma carreata em Minas Gerais, o ataque a uma vereadora petista, a morte de um engenheiro espancado em Santos e uma agressão coletiva registrada em vídeo em Goiás. 
Os episódios ocorreram entre sábado (24) e a manhã desta segunda-feira (26). Parte das imagens mostra confrontos e agressões, enquanto outros relatos ainda dependem de confirmação policial. A autoria e a motivação política também não foram esclarecidas em todos os casos.
As denúncias ganharam força após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL). Em Rio Verde, Goiás, vídeos de um homem sendo espancado circularam amplamente. Em Florianópolis, testemunhas acusam policiais militares de atropelar um motociclista durante as comemorações. As duas ocorrências provocaram pedidos de investigação, mas não havia confirmação oficial de mortes nesses episódios até a manhã desta segunda-feira. 
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