O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República, divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta de teor golpista na qual se autoproclamou “presidente eleito” do Brasil.
Pouco tempo depois, Flávio Bolsonaro editou o documento divulgado e retirou a afirmação de que era o “presidente eleito” do Brasil. Limitou-se a afirmar que será o líder da oposição brasileira a partir dos Estados Unidos.
De resto, a carta de Flávio Bolsonaro é baseada em alegações sem comprovação, como a de que o Brasil vive um regime de exceção e a de que ele é um “perseguido” político.
Sem apresentar provas, Flávio acusa o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido por Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, de “fraudar a eleição”.
Trump reage à carta de Flávio Bolsonaro
Horas depois de Flávio Bolsonaro divulgar sua carta golpista, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi questionado por jornalistas sobre sua opinião a respeito do fato de o senador ter se autoproclamado presidente do Brasil.
Trump voltou a lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro, mas afirmou que não pretende se envolver na situação de Flávio Bolsonaro:
“Não vou comentar sobre isso. Não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certeza.”
https://x.com/centralreality/status/2115554186095935802
Flávio Bolsonaro se declara presidente eleito e agradece a Trump e Milei
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de domingo (25), divulgou um pronunciamento no qual se apresenta como o verdadeiro presidente eleito do Brasil, acusa a Justiça Eleitoral de fraude e anuncia que pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos.
Flávio deixou o Brasil após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a apreensão de seus passaportes e proibir sua saída do país. O senador chegou nesta quarta-feira (28) a Miami, acompanhado da esposa e das filhas.
No documento, Flávio Bolsonaro agradeceu aos presidentes da Argentina, Javier Milei, e dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo acolhimento de sua família.
“Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher”, declarou.
Flávio Bolsonaro não reconhece derrota para Lula
No pronunciamento, o senador afirma que a eleição presidencial foi fraudada e acusa o Supremo Tribunal Federal de interferir ilegalmente no processo eleitoral.
Flávio questiona a decisão judicial que prorrogou o horário de votação e sustenta que Lula teria recebido mais de 10 milhões de votos adicionais entre o primeiro e o segundo turno.
O parlamentar também acusa o governo de abuso de poder político e econômico e defende a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin.
As acusações de fraude eleitoral apresentadas por Flávio Bolsonaro não vieram acompanhadas de provas que comprovem a adulteração do resultado das eleições. O próprio Partido Liberal (PL) reconheceu a vitória de Lula.
“Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”
Flávio Bolsonaro também procurou justificar sua saída do país, afirmando que estaria sendo vítima de perseguição política e judicial.
O senador declarou que decidiu levar sua família aos Estados Unidos por considerar que não teria segurança jurídica no Brasil.
“Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece”, afirmou.
Em outro trecho, Flávio agradeceu diretamente ao governo norte-americano.
“Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil.”
O senador também afirmou que não existe mandado de prisão contra ele e classificou as investigações judiciais como uma tentativa de perseguição política.
Senador anuncia que vai liderar oposição dos Estados Unidos
Flávio Bolsonaro afirmou que pretende organizar a oposição ao governo Lula a partir do território norte-americano.
No documento, ele dirigiu uma mensagem aos parlamentares e governadores que ajudou a eleger, com uma referência especial ao senador Rogério Marinho, seu candidato à presidência do Senado.
“Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.”
O senador também comparou sua situação à de personagens históricos que atuaram politicamente fora de seus países, citando Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí.
Flávio mencionou ainda opositores do governo venezuelano, como Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.
Ao se dirigir aos eleitores, o parlamentar afirmou que continuará mobilizando seus apoiadores e que pretende apresentar uma estratégia para a atuação da oposição.
“Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar.”
Flávio Bolsonaro encerrou o pronunciamento com a frase: “Que Deus abençoe o Brasil.”
https://x.com/FlavioBolsonaro/status/2115538982012682337
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