Hugo Motta: conheça a biografia do presidente da Câmara dos Deputados

Hugo Motta: conheça a biografia do presidente da Câmara dos Deputados
Hugo Motta - Foto: Sergio Lima / AFP)

Hugo Motta Wanderley da Nóbrega (Republicanos-PB), médico nascido em João Pessoa em 11 de setembro de 1989, foi eleito presidente da Câmara dos Deputados em 1º de fevereiro de 2025, tornando-se o parlamentar mais jovem a ocupar o cargo na história da casa. Com 444 dos 513 votos, o deputado paraibano construiu uma base que atravessou legendas de situação e oposição, do PT ao PL, apoiado num estilo descrito como conciliador, mas também marcado por escolhas políticas que o ligam a figuras controversas do parlamento brasileiro.
Quem é Hugo Motta
Hugo Motta tem 35 anos e é deputado federal pela Paraíba desde fevereiro de 2011. Sua estreia no cargo já foi histórica: eleito em 2010 com 86.150 votos, aos 21 anos, tornou-se o deputado mais jovem da história do país. Quinze anos depois, bateu outro recorde ao assumir a presidência da Câmara, cargo que nenhum parlamentar tão jovem havia ocupado antes.
Formado em medicina pela Universidade Católica de Brasília em 2013, Motta iniciou o curso em João Pessoa em 2007 e o transferiu para a capital federal quando assumiu o mandato. A carreira na medicina, no entanto, cedeu espaço definitivo à política, ambiente que ele conhece desde a infância.
O avô paterno de Motta, Nabor Wanderley, foi prefeito de Patos, município do sertão paraibano com pouco mais de 100 mil habitantes, entre 1956 e 1959. O pai, Nabor Wanderley Filho, ocupou o mesmo cargo por dois mandatos consecutivos, de 2005 a 2012, e está atualmente em novo mandato à frente da cidade. A avó materna, Francisca Motta, acumula mandatos como deputada estadual e foi prefeita de Patos entre 2012 e 2016.
O pai de Motta, Nabor Wanderley, esteve envolvido em investigações de improbidade administrativa e corrupção relacionadas às suas gestões na prefeitura de Patos. Um empresário o acusou de receber propina; as investigações apontaram irregularidades em contratações de obras com prejuízo estimado em R$ 4,9 milhões aos cofres públicos. Wanderley negou as acusações e as atribuiu a interesse eleitoral.
Na Câmara, Motta presidiu a CPI da Petrobras em 2015. Em 2016, votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff. Em 2017, apoiou a PEC do Teto dos Gastos Públicos e a Reforma Trabalhista, e votou contra a abertura de investigação sobre o então presidente Michel Temer. Deixou o MDB em 2018 para se filiar ao PRB, atual Republicanos. Foi líder do partido na Câmara em 2021 e 2023, e eleito vice-presidente nacional da legenda em abril de 2023.
Perfil e apoios
O estilo conciliador de Motta é apontado como o principal ativo de sua ascensão. Ao jornal Valor, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rego, descreveu o traço como marca da família: “Todos ali têm esse perfil doce, amável e que cumprem os compromissos. Trata-se de uma dinastia muito bem preservada. Quem nasce ali já sabe que tem destino na política.”
Esse perfil se traduziu em números: quase 90% dos deputados votaram em Motta, incluindo legendas que estão em campos opostos fora da Câmara, como PT e PL. O lema de sua campanha, “Do lado do Brasil”, sintetizou a aposta na unidade como argumento central.
O ponto mais sensível de sua biografia, porém, é a proximidade com Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara condenado no âmbito da Operação Lava Jato. Segundo apuração do Valor, o apelido “Cunha boy” circula entre lideranças políticas como registro negativo de sua trajetória. Em setembro de 2016, quando o plenário votou a cassação do mandato de Cunha, Motta se ausentou junto com outros integrantes da chamada “tropa de choque” do ex-presidente. O Republicanos, partido pelo qual Motta chegou à presidência da Câmara, integra hoje a base de apoio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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