O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reagiu nesta terça-feira (3) aos argumentos apresentados por representantes de clubes de futebol contrários à proibição das bets no Brasil. Durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), dirigentes defenderam a manutenção das apostas online sob o argumento de que o fim dos patrocínios ameaça receitas e empregos. Padilha contrapôs as preocupações financeiras aos impactos do vício em jogos sobre a população.
“Com todo respeito, eu ouvi um representante de um time de futebol que acabou de falar que a briga dele são os clubes, o salário, como manter o time de futebol. A minha briga são as mulheres”, afirmou o ministro.
A declaração ocorreu após manifestações de representantes de Flamengo, Fluminense, Botafogo e Corinthians, que questionaram os efeitos da medida provisória assinada pelo presidente Lula para proibir as apostas online.
GIGANTE! Ministro da Saúde do Governo Lula, @padilhando, chamou os donos e ricaços das bets e dos clubes de futebol pra briga.
A nossa briga é pela saúde do povo! Não pra encher barriga de time milionário! https://t.co/LF8fI4X2tX
— Natasha Ferreira é Lula 13! (@eunatashapoa) November 3, 2026
Pelo Fluminense, Mattheus Montenegro afirmou que o drama de famílias endividadas não deveria se sobrepor ao de trabalhadores ameaçados pelo desemprego. Já o vice-presidente jurídico do Flamengo, Flávio Willeman, alegou que o clube poderia perder cerca de R$ 430 milhões em receitas anuais, com possíveis consequências para seus 1.200 funcionários.
Na resposta, Padilha afirmou que 65% das mulheres mencionadas nos dados apresentados sentem vergonha de procurar atendimento de saúde, mesmo quando reconhecem a dependência das apostas.
O ministro também citou pesquisas segundo as quais os jogos eletrônicos de apostas aumentariam em 15 vezes o risco de suicídio, com impacto ainda maior entre as mulheres. Os números foram apresentados por Padilha durante sua manifestação.
“A minha briga são as pessoas que se suicidam”, declarou.
Padilha chamou atenção ainda para o crescimento da procura por tratamento da ludopatia, transtorno associado à dependência de jogos, e para as dificuldades enfrentadas pelos profissionais de saúde diante dessa demanda.
O ministro sustentou que os problemas financeiros dos clubes podem ser enfrentados por outras alternativas. Para ele, a manutenção da proibição das bets é a melhor resposta para prevenir o vício, os suicídios e a violência familiar.
A audiência foi convocada pelo ministro Luiz Fux para discutir a constitucionalidade da MP 1.394/2026, editada pelo governo Lula em setembro. A norma proíbe a exploração das apostas de quota fixa e prevê o encerramento das autorizações das empresas do setor
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