Janones rebate ataque de chanceler argentino

Janones rebate ataque de chanceler argentino
Janones rebate ataque de chanceler argentino 2

A visita de André Janones (Rede-MG) à ex-presidenta argentina Cristina Kirchner enfureceu o alto escalão do governo de Javier Milei, que havia declarado apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da disputa presidencial.
Quem manifestou o incômodo com a visita de André Janones foi o chanceler do governo de Milei, Pablo Quirno, que repostou uma foto do deputado brasileiro ao lado de Cristina Kirchner com a seguinte legenda: “Más cantado que Despacito 2”, ou seja, algo previsível.
https://x.com/pabloquirno/status/2117381035625455856
Ao responder a uma matéria que repercutia o ataque do chanceler argentino, André Janones foi direto e reto: “Cague*”.

Janones é recebido por Cristina Kirchner em momento crucial para a Argentina
O deputado federal André Janones (Rede-MG), celebrado internacionalmente pela capacidade de contornar a desinformação e mobilizar massas nas redes digitais durante o processo de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cumpre uma concorrida agenda em Buenos Aires. Na  segunda-feira (2), o parlamentar mineiro participou de uma rodada de reuniões de alto nível com os dois maiores expoentes da oposição argentina: o ex-ministro da Economia Sergio Massa e a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner.
A imersão do deputado brasileiro no ecossistema político do país vizinho ocorre em um instante de inflexão na Argentina. Sob o mandato do ultraliberal reacionário Javier Milei, a oposição peronista busca articular uma frente ampla de resistência. Reconhecido mundialmente como um “mago” da comunicação digital por ter quebrado a hegemonia das redes de extrema direita no Brasil, Janones desembarcou na capital argentina com a missão de compartilhar as metodologias de engajamento orgânico e guerra de informação que ajudaram a garantir o triunfo de Lula sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
Veja o registro do encontro:
https://x.com/AndreJanonesMG/status/2117382497860530369
Intercâmbio tático na Recoleta e a lição do “Exército do Lula”
A primeira etapa das conversas ocorreu no tradicional bairro da Recoleta. Em um encontro de cerca de uma hora com Sergio Massa, ex-candidato à Casa Rosada que foi derrotado por Milei no segundo turno de 2023, Janones debateu a reconstrução de pontes de diálogo com a militância e o eleitorado jovem. Na saída do encontro, o parlamentar explicou o intuito da reaproximação diplomática e tática.
“A gente veio falar um pouco sobre o exemplo do presidente Lula. Tentar levar um pouco dessas técnicas”, afirmou Janones aos jornalistas que acompanhavam a movimentação em Buenos Aires.
A assessoria do parlamentar destacou que a viagem tem por objetivo “promover o intercâmbio de experiências, ampliar o diálogo entre lideranças políticas e fortalecer os valores democráticos e as relações entre Brasil e Argentina”. Nos bastidores, contudo, o foco central das conversas gira em torno do espelhamento de ferramentas inovadoras de mobilização. Desde a vitória petista no Brasil, o peronismo passou a reproduzir a criação de ecossistemas integrados no WhatsApp e Telegram à imagem do “Exército do Lula”, buscando criar redes de distribuição de conteúdo capazes de furar o bloqueio dos algoritmos e combater em tempo real as investidas difamatórias promovidas por gabinetes virtuais.
Articulação de Cristina Kirchner a partir da prisão domiciliária
O momento mais emblemático da agenda de Janones em Buenos Aires deu-se ao final da tarde, ao ser recebido por Cristina Fernández de Kirchner. Cumprindo prisão domiciliária e enfrentando a inabilitação para o exercício de cargos públicos, numa condenação de face perseguidora e à base de muito lawfare, Cristina mantém-se como o nó central de engajamento da base progressista argentina.
A reunião com Janones coincidiu com a repercussão de uma bombástica entrevista concedida por Cristina ao jornal norte-americano The Washington Post, publicada também nesta segunda. Indagada sobre a possibilidade de retornar às urnas e encarar uma disputa pela Casa Rosada no pleito de 2027, a líder peronista deixou a porta abertíssima para o retorno político:
“Quando eu recuperar os meus direitos políticos, por que não?”, declarou ao veículo internacional.
Assim como Lula, que reabilitou suas garantias constitucionais após anulações na Justiça para posteriormente vencer o pleito presidencial, Cristina vislumbra a recomposição de seu capital político a partir da resistência digital e da unidade de seu campo. A busca pela expertise de Janones insere-se justamente no plano de manter suas bases mobilizadas e ativas enquanto enfrenta o cerco judicial e político.
Oposição pulverizada diante de um Milei desgastado
A consultoria informal prestada por Janones estende-se a outros setores da política local e deve movimentar a agenda até esta terça-feira (3). Lideranças do centro à esquerda disputam a atenção do deputado brasileiro, como é o caso do parlamentar Pablo Juliano, da União Cívica Radical (UCR), que articulou encontros para entender a dinâmica de combate às fake news no ambiente parlamentar e eleitoral.
O movimento da oposição ganha urgência diante do paradoxal cenário argentino. Embora Javier Milei ostente números expressivos de reprovação e desgaste social, a oposição peronista e centrista tem enfrentado dificuldades para construir uma alternativa coesa de poder. Segundo um compilado de 11 levantamentos de opinião pública analisados pelo jornal Clarín, cerca de 57% da população argentina desaprova a gestão do governo ultraliberal, e 57,2% classificam a imagem do atual presidente como negativa.
Sem um nome único estabelecido, a lista de pretendentes para o pleito de 2027 inclui tanto uma eventual nova candidatura de Sergio Massa quanto o nome de Axel Kicillof, atual governador da Província de Buenos Aires e figura em ascensão entre os quadros progressistas. Diante da fragmentação de seus opositores, o governo Milei tem conseguido sustentar o espaço político. É para reverter esse isolamento estratégico que os líderes locais recorreram às táticas que consagraram o “mago” das redes no Brasil, apostando no engajamento massivo e na comunicação direta como o caminho para a consolidação de uma frente democrática vitoriosa.
 

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