Tarifaço de Trump pode ter novos desdobramentos nos próximos dias, diz ministro

Tarifaço de Trump pode ter novos desdobramentos nos próximos dias, diz ministro
- Marcio Elias Rosa (Foto: Wikimedia Commons/ José Francisco Pacóla)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva espera receber, até o início da próxima semana, uma proposta dos Estados Unidos para avançar nas negociações sobre o tarifaço imposto por Donald Trump aos produtos brasileiros. O documento deverá detalhar os setores nos quais Washington pretende obter condições mais favoráveis de acesso ao mercado nacional. O Brasil, por sua vez, apresentará uma contraproposta com suas próprias reivindicações.
A informação foi confirmada nesta terça-feira (3) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, que acompanha as negociações com os americanos.
A expectativa é que Washington cumpra o compromisso assumido durante uma reunião presencial realizada no fim de setembro. Desde então, representantes dos dois governos mantiveram contatos informais, mas a proposta ainda não chegou a Brasília.
“A informação que eu tenho é eles estão trabalhando no documento para nos encaminhar. Tivemos conversas informais nesse período”, afirmou o ministro.
O governo brasileiro ainda desconhece quais setores os Estados Unidos pretendem beneficiar com a redução de tarifas. A definição dessas áreas será fundamental para que a equipe econômica elabore sua resposta.
As negociações já tiveram um primeiro impasse. No início do ano, os americanos sondaram a possibilidade de um acordo nos moldes daquele firmado com a Argentina, que previa ampla abertura comercial sem benefícios equivalentes para o Brasil.
A ideia foi considerada inaceitável por integrantes do governo Lula, que descartaram avançar em uma negociação nesses termos.
Enquanto as conversas prosseguem, seguem em vigor duas sobretaxas anunciadas pela administração Trump em julho. Uma delas, de 25%, foi justificada por supostas práticas comerciais desleais. A outra, de 12,5%, teve como argumento alegadas falhas no combate à importação de produtos fabricados com trabalho escravo.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), as medidas atingem simultaneamente 3.985 produtos brasileiros, que representam US$ 10,8 bilhões, aproximadamente R$ 55 bilhões, em exportações para o mercado americano.
O próximo passo depende do envio do documento pelos Estados Unidos. Depois de avaliar as exigências de Washington, o governo brasileiro definirá os setores que pretende incluir em sua contraproposta.

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