O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discursará nesta quinta-feira em um jantar do CPAC (Conservative Political Action Conference) realizado no salão Donald J. Trump, dentro do clube Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida. Ao seu lado na programação estará o ator Jim Caviezel, escolhido para interpretar Jair Bolsonaro na cinebiografia Dark Horse, filme que passou a ser investigado pela Polícia Federal após a identificação de mensagens entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento da produção. Flávio está nos Estados Unidos desde o fim de outubro, quando deixou o Brasil após descumprir uma determinação do STF para entregar seus passaportes.
Flávio Bolsonaro em evento conservador nos EUA
O jantar do CPAC ocorrerá entre 18h e 22h no horário local, o equivalente a 20h e meia-noite em Brasília. O evento integra a programação mais ampla da conferência, que reúne lideranças conservadoras americanas e internacionais entre os dias 4 e 7 de novembro. O horário específico do discurso de Flávio Bolsonaro não foi informado pelos organizadores.
A cerimônia acontece na propriedade de Donald Trump, mas não há confirmação de que o presidente americano participará do jantar. Trump afirmou recentemente que não tinha planos de receber o senador, embora tenha declarado que ele poderia permanecer nos Estados Unidos pelo tempo que desejasse. A escolha do salão Donald J. Trump como palco do evento, ainda assim, carrega um simbolismo que os organizadores certamente não ignoram: é a casa do trumpismo, e é lá que Flávio Bolsonaro escolheu se apresentar ao movimento conservador americano.
O filme Dark Horse e a investigação da PF
Jim Caviezel ficou mundialmente conhecido por interpretar Jesus Cristo em A Paixão de Cristo. Agora, foi escalado para viver o ex-presidente Jair Bolsonaro na cinebiografia Dark Horse, dirigida por Cyrus Nowrasteh. A produção ganhou notoriedade no Brasil não apenas pelo elenco, mas pelo rastro que deixou nas investigações da Polícia Federal.
O filme passou a ser citado nas investigações sobre o Banco Master após a PF identificar conversas em que Flávio Bolsonaro tratava com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de recursos para financiar a produção. Em uma das mensagens, o senador cobrou pagamentos relacionados ao ator Caviezel e ao diretor Nowrasteh. Flávio confirmou ter buscado financiamento para o projeto, mas negou irregularidades. O encontro desta quinta-feira, portanto, coloca lado a lado o senador investigado e o ator que daria rosto ao seu pai nas telas, em um evento patrocinado pelos aliados mais próximos de Trump.
Articulação política e o movimento trumpista
A participação de Flávio Bolsonaro no jantar não é um evento isolado. Desde que chegou aos Estados Unidos, o senador tem buscado sistematicamente contatos com lideranças do movimento conservador americano, e conta com um facilitador de peso: seu irmão Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal que vive no país há mais de um ano e mantém relações consolidadas com integrantes do entorno trumpista. Eduardo também está entre os participantes anunciados para a conferência do CPAC, o que transforma o evento em uma operação familiar de relações públicas com a direita americana.
Flávio deixou o Brasil no fim de outubro, após a derrota na eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a recusa em reconhecer o resultado. Desde então, permanece na Flórida acompanhado da família. A estratégia de buscar legitimação junto ao trumpismo não é nova para o clã Bolsonaro, mas ganha contornos mais agudos agora que Flávio enfrenta, simultaneamente, investigações no Brasil e o desgaste político de uma derrota que sua família ainda não admitiu publicamente.
Repercussões e o cenário político pós-eleição
Após chegar aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro divulgou uma carta em que questionou, sem apresentar provas, a legitimidade do resultado eleitoral e afirmou que pretende liderar a oposição mesmo fora do país. A manifestação, de cunho golpista, gerou desconforto entre dirigentes do PL e aliados que defendem a manutenção de uma atuação institucional no Congresso.
O pano de fundo da viagem é ainda mais grave: Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para entregar seus passaportes. O senador permanece na Flórida enquanto sua situação jurídica no Brasil segue em aberto. Discursar em Mar-a-Lago, ao lado do ator que interpretará seu pai nas telas, é também uma mensagem política para o público interno: a de que a família Bolsonaro não reconhece os limites impostos pelas instituições brasileiras e busca, no exterior, o respaldo que perdeu nas urnas.
Flávio Bolsonaro discursa em evento de aliados de Trump nos EUA ao lado de ator de Dark Horse
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