O Piauí registrou o maior salto no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio desde o início da série histórica do indicador, em 2005, passando de 2,3 para 4,9 e alcançando a segunda melhor nota do país, atrás apenas do Paraná.
Os resultados do Ideb 2025, divulgados pelo Ministério da Educação em 5 de agosto, mostram que o estado saiu da última posição nacional para figurar entre os líderes, num movimento construído sobre a expansão acelerada do ensino em tempo integral e a decisão do governador Rafael Fonteles (PT) de colocar a educação como eixo central do projeto de desenvolvimento estadual.
Piauí alcança destaque nacional no Ideb do ensino médio
Há vinte anos, o Piauí ocupava a lanterna do ranking nacional do Ideb para o ensino médio, com nota 2,3, a mais baixa entre todos os estados brasileiros.
Em 2025, o mesmo estado figura em segundo lugar, com 4,9 pontos, superando a média nacional de 4,5 e ficando atrás apenas do Paraná, que registrou 5,1.
A virada é a mais expressiva do país: o crescimento de 2,6 pontos no período é o maior registrado entre todas as unidades da federação desde que o indicador passou a ser medido.
A distância para os demais estados que mais avançaram é significativa. Goiás e Pernambuco, os dois seguintes na lista dos maiores crescimentos, registraram aumento de 2 pontos no mesmo intervalo, ou seja, o salto piauiense supera em 30% o segundo maior crescimento nacional.
A trajetória recente reforça a consistência do resultado: em 2019, o estado tinha nota 4,0 e ocupava o 14º lugar nacional; em 2023, já havia subido para o 4º; em 2025, chegou ao 2º.
O papel do ensino em tempo integral e a estratégia estadual
A estratégia que sustenta os números tem nome e endereço político: a expansão acelerada do ensino em tempo integral.
O Piauí passou de 21% para 81% das matrículas do ensino médio nessa modalidade em poucos anos, atingindo o maior percentual do país.
Para efeito de comparação, Pernambuco, referência histórica no modelo, tem 61% dos alunos em tempo integral.
Em 2023, o governador Rafael Fonteles (PT) definiu a educação como eixo estruturante do projeto de desenvolvimento do estado, o que se traduziu em metas concretas: universalizar o ensino integral no ensino médio, integrado à educação profissional, e reformar a infraestrutura de quase todas as 500 escolas estaduais para comportar o novo modelo.
Impacto na proficiência e aprovação dos estudantes
Um dos argumentos mais recorrentes contra políticas de redução da reprovação é o de que aprovar mais compromete o desempenho.
Os dados do Piauí desafiam essa lógica de forma direta. A taxa de aprovação no ensino médio passou de 65% para 99,5%: dos cerca de 103,3 mil alunos matriculados, apenas 103 foram reprovados e 415 abandonaram os estudos no ano passado, segundo levantamento da Folha de S.Paulo. Ao mesmo tempo, a proficiência cresceu em ritmo muito superior à média nacional.
Em duas décadas, a nota média dos estudantes piauienses em matemática subiu 46,84 pontos, chegando a 286,6 numa escala de 500. Em português, o avanço foi de 43,17 pontos. Para comparar: a média das redes estaduais do país avançou 8,46 pontos em matemática e 24,63 pontos em português no mesmo período. A maior parte desse crescimento se concentrou nos últimos dois anos: de 2023 a 2025, o Piauí avançou 20 pontos em matemática e 13 em português. Considerando que a escala do Saeb estabelece que 12 pontos equivalem a um ano inteiro de aprendizado, os estudantes piauienses passaram a aprender o equivalente a quase quatro anos a mais de conteúdo de matemática desde 2005. O resultado transforma o Piauí num caso concreto de que qualidade e inclusão não são objetivos contraditórios na educação pública.
O Piauí tinha a pior educação do Brasil. Em 20 anos, conseguiu dobrar seu resultado e hoje é o segundo lugar no ranking do Ideb, o mais importante para medir o ensino do país
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