O deputado federal Ricardo Salles (Novo), candidato ao Senado por São Paulo, elevou o tom contra o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), também candidato ao Senado nas eleições de 2026. Em entrevista ao Metrópoles, Salles resgatou o caso envolvendo um ex-assessor parlamentar de Prado condenado por estupro de vulnerável e acusou o adversário de ter mantido o funcionário em sua estrutura política.
A acusação foi rebatida por André do Prado, que afirmou que desconhecia os crimes atribuídos ao ex-servidor e que ele foi demitido assim que a liderança partidária tomou conhecimento da denúncia. O presidente da Alesp também acusou Salles de utilizar o sofrimento de uma família para obter vantagem eleitoral.
O caso envolve José Renato da Silva, ex-presidente da Câmara Municipal de Suzano. Ele trabalhou como assessor de André do Prado na Assembleia entre 2013 e 2015. Depois, permaneceu ligado à estrutura da liderança do então Partido da República (PR), sigla que posteriormente passou a se chamar Partido Liberal (PL), entre 2015 e 2022.
Durante a entrevista, Salles questionou a permanência de José Renato na estrutura política e citou a condenação judicial do ex-servidor.
“O André do Prado tem outros problemas. Tem problemas relacionados ao seu ex-chefe de gabinete, que estuprou não só a filha, como as netas, mais de 700 vezes. Isso está nos jornais. Ou seja, como é que alguém teve um chefe de gabinete, durante 13 anos, que foi uma pessoa que estuprou a filha e as netas. Foi condenado a 40 anos de prisão”, declarou o parlamentar do Novo.
Processo começou em 2022
As acusações contra José Renato vieram a público em 2022, depois de relatos divulgados por uma das filhas do acusado nas redes sociais. O caso passou a ser investigado pelas autoridades e, em novembro daquele ano, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou denúncia contra o ex-assessor.
Em agosto de 2023, a Justiça paulista condenou José Renato a 40 anos de prisão por estupro de vulnerável contra duas netas. A sentença não resultou em condenação pela acusação envolvendo a própria filha.
A defesa de José Renato foi procurada pelo Metrópoles para comentar as acusações, mas não apresentou manifestação.
O caso voltou ao centro do debate político durante a campanha eleitoral de 2026, após Salles utilizar o histórico judicial do ex-assessor para questionar a atuação de André do Prado.
Relação profissional com familiares
Além de ter trabalhado na estrutura política de André do Prado, José Renato teve uma filha que também ocupou um cargo comissionado no gabinete do parlamentar. Ela exerceu a função entre 2011 e 2012, período anterior à atuação do pai na Assembleia.
Em 2013, a mulher deixou o gabinete e passou a trabalhar na Prefeitura de Suzano, onde assumiu o cargo de secretária municipal.
Salles afirmou que a nomeação da filha e a posterior contratação do pai teriam servido para evitar que as acusações viessem à tona. O deputado classificou os cargos como uma espécie de “cala boca”.
André do Prado, porém, nega ter tido conhecimento dos crimes antes da denúncia e afirma que não houve qualquer tentativa de encobrir as acusações.
André do Prado diz que ex-servidor foi demitido após denúncia
Em nota, o presidente da Alesp afirmou que José Renato integrava a liderança partidária e que sua demissão ocorreu assim que a direção da legenda tomou conhecimento das denúncias.
“É lamentável e profundamente indigno que o candidato Ricardo Salles tente explorar politicamente o drama vivido por uma família para obter vantagem eleitoral. Repudio qualquer tentativa de distorcer os fatos. José Renato da Silva era funcionário da liderança do partido. Assim que o partido tomou conhecimento da denúncia, ele foi imediatamente demitido. Antes disso, jamais havíamos tido conhecimento dos fatos relatados, que, segundo a própria denúncia, ocorreram no âmbito familiar. Minha posição sempre foi clara: jamais compactuaria, acobertaria ou toleraria qualquer situação dessa natureza”, manifestou-se o deputado em nota.
Prado também afirmou ter uma relação de amizade com os pais das crianças envolvidas no caso e disse que ofereceu apoio à família desde que as denúncias se tornaram públicas.
“Utilizar o sofrimento de uma família, especialmente envolvendo crianças, como arma política é de uma baixeza que não deveria fazer parte do debate público. É inadmissível. Respeito às famílias envolvidas, respeito os fatos e, acima de tudo, repudio qualquer tentativa de instrumentalizar uma situação tão grave para benefício eleitoral. Não aceitarei que a verdade seja distorcida para atender a interesses políticos”, concluiu.
Salles acusa André do Prado de ter acobertado caso de estupro de filha e netas por chefe de gabinete
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