Mario Frias: da “Malhação” ao escândalo do Dark Horse, filme de Bolsonaro

Mario Frias: da “Malhação” ao escândalo do Dark Horse, filme de Bolsonaro
- Mario Frias Foto: Rodrigo Romeo

Mario Frias ficou conhecido pelo grande público ainda jovem, quando interpretou personagens em novelas da televisão brasileira, especialmente em Malhação. Décadas depois, deixou a carreira artística para entrar na política e se tornou um dos nomes mais próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesta quinta-feira (10), o deputado federal pelo PL-SP voltou ao centro do noticiário ao ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga o financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória política de Bolsonaro.
A Operação Make Up, realizada pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU), cumpre 49 mandados de busca e apreensão contra 22 alvos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Além de Frias, a produtora Karina Gama também está entre os investigados.
A apuração, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), investiga suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos, incluindo valores provenientes de emendas parlamentares, que teriam sido destinados a entidades e empresas ligadas à produção do filme.
Da televisão à política bolsonarista
Antes de se tornar uma figura conhecida no campo político conservador, Mario Frias construiu sua carreira como ator. Ele ganhou projeção nacional nos anos 1990 e 2000, especialmente como protagonista da novela juvenil Malhação, da TV Globo.
Com o passar dos anos, aproximou-se de pautas conservadoras e passou a defender publicamente o governo Bolsonaro. Em 2020, foi nomeado secretário especial da Cultura, cargo que ocupou até 2022.
Sua passagem pela pasta foi marcada por conflitos com artistas, críticas à política cultural do governo e forte alinhamento ao discurso bolsonarista sobre o setor. Após deixar o cargo, Frias disputou uma vaga na Câmara dos Deputados e foi eleito deputado federal pelo PL de São Paulo.
Relação com “Dark Horse”
O nome de Mario Frias aparece na investigação sobre Dark Horse, produção cinematográfica que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. Ele é apontado como um dos envolvidos no projeto, ao lado da produtora Karina Gama.
A PF investiga se recursos públicos foram utilizados de maneira irregular no financiamento da obra. Segundo a corporação, o inquérito apura um suposto esquema envolvendo agentes públicos e privados, com direcionamento de valores para empresas subcontratadas sem comprovação da realização dos serviços.
Os investigadores apontam suspeitas de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, falsidade documental, organização criminosa e irregularidades em contratos.
O dinheiro privado e a investigação sobre Vorcaro
Além da frente conduzida por Flávio Dino, o financiamento de Dark Horse também é analisado em outra investigação no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça.
Essa segunda apuração acompanha o caminho de recursos privados ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Na véspera da operação da PF, Mendonça homologou o acordo de colaboração premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”.
Segundo informações apresentadas na investigação, Mineiro relatou ter realizado repasses para o fundo norte-americano Havengate após pedidos de Vorcaro. Os valores são analisados pelos investigadores para esclarecer a origem e a circulação dos recursos usados na produção do filme.
A trajetória de Mario Frias, que começou nos estúdios de televisão e passou pelos corredores do governo federal, agora se cruza com uma investigação que envolve financiamento público e privado de uma das principais produções associadas ao bolsonarismo.

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