Uma petição apresentada pelo deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicita a ampliação das investigações relacionadas à Operação Make Up para apurar a eventual participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na deflagração e na condução de uma operação anterior da Polícia Civil paulista.
O documento questiona a Operação Wi-Fi, realizada em 1º de junho, que atingiu pessoas e locais já incluídos no radar da investigação federal sobre suspeitas de desvios de emendas parlamentares destinadas à produção do filme Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A principal preocupação apresentada ao STF é a possibilidade de que o intervalo entre as duas operações tenha permitido eventual manipulação de provas apreendidas pela Polícia Civil. A petição, contudo, não afirma que houve adulteração, mas pede diligências para verificar essa hipótese.
Lacres de aparelhos eletrônicos são questionados
Um dos pontos centrais do pedido envolve a preservação dos equipamentos recolhidos durante a Operação Wi-Fi. Segundo o documento, o Instituto de Criminalística de São Paulo recusou o recebimento de pelo menos 17 aparelhos eletrônicos devido a problemas nos lacres.
Em ao menos 13 dispositivos, haveria espaço suficiente para a passagem de cabos de alimentação e transferência de dados, o que, em tese, permitiria acesso ao conteúdo sem rompimento aparente da proteção. Os aparelhos teriam sido relacrados aproximadamente uma semana depois.
A petição pede que seja examinada a cadeia de custódia dos equipamentos, com o objetivo de esclarecer se houve acesso indevido aos dados ou se as falhas decorreram de procedimentos inadequados na atuação policial.
Também é solicitada uma perícia comparativa entre os materiais recolhidos na operação de junho e aqueles apreendidos posteriormente na Operação Make Up.
Governador e cúpula da segurança são citados
Além de Tarcísio, o documento menciona o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, e o delegado-geral da Polícia Civil, Artur José Dian.
Em relação ao governador, o deputado pede que sejam investigadas sua eventual participação na escolha da data da Operação Wi-Fi e sua atuação na condução posterior do caso. A petição cita o possível interesse político do governador, uma vez que a investigação envolve parlamentares ligados ao seu grupo político em um ano eleitoral.
Entre as diligências requeridas estão o levantamento de comunicações entre o Palácio dos Bandeirantes, a Secretaria de Segurança Pública e a Delegacia-Geral da Polícia Civil, no período de maio a setembro.
O objetivo é identificar se houve interferência política, orientação indevida ou qualquer irregularidade na condução da operação.
Pedido não propõe inquérito contra Tarcísio no STF
A petição não requer a abertura imediata de um inquérito contra o governador no Supremo. Como Tarcísio possui foro por prerrogativa de função no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o documento solicita que, caso sejam encontrados elementos de responsabilidade pessoal, as informações sejam encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR).
A partir desse encaminhamento, caberia ao Ministério Público avaliar as providências eventualmente necessárias perante o tribunal competente.
Os autores também destacam que as suspeitas apresentadas são “hipóteses de trabalho”. A investigação deverá esclarecer se houve irregularidades ou se os problemas identificados decorreram de falhas nos procedimentos adotados pela Polícia Civil.
Paulo Teixeira pede que STF investigue Tarcísio em operação ligada ao Dark Horse
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