Mendonça afastou chefe da PF três dias após Dino autorizar operação contra seu aliado Cezinha de Madureira

Mendonça afastou chefe da PF três dias após Dino autorizar operação contra seu aliado Cezinha de Madureira
O ministro André Mendonça, do STF - Foto: Raspress/Folhapress

A Polícia Federal (PF) realizou nesta segunda-feira (14) uma operação contra o deputado federal Antônio Cezar Correia Freire, o Cezinha de Madureira, aliado do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. A ação havia sido autorizada pelo ministro Flávio Dino em decisão assinada três dias antes de Mendonça determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A decisão de Dino, assinada em 5 de setembro, autorizou medidas de busca e apreensão contra Cezinha e outros investigados no âmbito de uma apuração sobre suposta prática dos crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Três dias depois da autorização da operação, em 8 de setembro, André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação.
A decisão abriu uma disputa dentro do Supremo sobre o comando da Polícia Federal. No dia seguinte, Flávio Dino determinou a manutenção de Andrei Rodrigues no cargo, medida posteriormente confirmada pelo presidente do STF, Edson Fachin.
Com o comando da PF preservado, a operação autorizada por Dino foi realizada nesta segunda-feira contra Cezinha de Madureira.
Deputado articulou encontro entre Mendonça e Vorcaro
A operação ocorre em meio às revelações envolvendo a relação entre Cezinha e André Mendonça no caso do Banco Master. Conforme revelou o jornalista Paulo Motoryn, da newsletter Noites Húngaras, o deputado foi responsável por articular um encontro entre o ministro do STF e o banqueiro Daniel Vorcaro.
A aproximação entre Cezinha e Mendonça passou a ser analisada no contexto das investigações sobre possíveis articulações envolvendo o banqueiro e diferentes personagens políticos e institucionais.
A decisão de Dino cita elementos que apontariam para uma investigação sobre uma possível estrutura de intermediação de influência junto a integrantes de tribunais superiores. Segundo o ministro, a apuração busca esclarecer a existência de uma “estrutura destinada à comercialização de influência junto a Ministros do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior Eleitoral”.
Dino ressaltou, porém, que os ministros citados nos autos não são investigados. Segundo a decisão, magistrados aparecem “exclusivamente como destinatários cogitados da influência anunciada pelos investigados” e “jamais como suspeitos”.
R$ 510 mil em espécie e mensagens apreendidas
Entre os elementos considerados na investigação está a apreensão de R$ 510 mil em espécie, ocorrida em 25 de agosto de 2026, no Aeroporto de Congonhas, envolvendo Valéria Rodrigues Linhares, suposta companheira de Cezinha. O episódio foi incorporado aos autos pela possível conexão com os demais fatos investigados.
A decisão também cita informações obtidas a partir da análise pericial de um celular apreendido na Operação Transparência. Segundo Dino, os diálogos indicariam uma atuação articulada envolvendo Cezinha, sua esposa e uma advogada para suposta obtenção de decisões favoráveis em processos no STF.

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