Ignorado pelo TSE, canal de Flávio Bolsonaro espalha fake news sobre ato de Lula na Paulista

Ignorado pelo TSE, canal de Flávio Bolsonaro espalha fake news sobre ato de Lula na Paulista
Lula durante ato na avenida Paulista - Foto: Ricardo Stuckert

O canal “Tropa do Flávio”, criado no WhatsApp para mobilizar apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), está sendo usado para espalhar desinformação sobre o gigantesco ato pró-Lula realizado neste domingo (11) na avenida Paulista, em São Paulo.
Um dos conteúdos divulgados mostra uma mulher de cabelos vermelhos supostamente aspirando uma substância branca, acompanhado da chamada “Militantes usando substâncias supostamente ilícitas em manifestação”. O vídeo, porém, não foi gravado no Brasil. Segundo revelou o repórter Renato Souza, as imagens são de uma manifestação no Chile e foram publicadas no canal bolsonarista como se tivessem sido registradas no ato de Lula.
O canal, que aparece com 1,3 milhão de seguidores, também divulgou imagens antigas de pichações e depredações na avenida Paulista como se fossem atuais. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que houve ocorrências de tumulto, pichações e depredação durante a dispersão do ato, mas isso não transforma registros antigos em imagens da manifestação deste domingo.
https://x.com/reporterenato/status/2109481453855604811?s=48
Canal de Janones foi censurado e depois restabelecido
O episódio ocorre em meio a uma disputa no próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Horas antes, o presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, havia atendido a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e determinado a suspensão do “Exército do Lula”, canal criado pelo deputado André Janones (Rede-MG) e que já reunia mais de 3 milhões de seguidores.
A campanha bolsonarista acusa Janones de organizar uma estrutura de desinformação. O corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que já analisava o caso, havia pedido mais informações e provas antes de decidir sobre as medidas solicitadas. Janones afirmou que o canal ainda estava em fase de mobilização e que não havia publicado uma notícia sequer.
Poucas horas depois, Cueva derrubou a decisão de Nunes Marques e determinou o restabelecimento imediato do “Exército do Lula”, considerando insuficientes os elementos apresentados para justificar uma medida tão ampla.
O contraste passou a ser explorado nas redes: enquanto o canal pró-Lula chegou a ser retirado do ar sob suspeita de desinformação, o “Tropa do Flávio” permaneceu ativo mesmo após divulgar como brasileiro um vídeo produzido no Chile.
Ato pró-Lula reúne multidão Paulista
A desinformação divulgada pela “Tropa do Flávio” tenta atingir justamente uma das maiores mobilizações de rua da campanha de Lula em 2026. A Marcha pela Democracia reuniu estudantes, movimentos sociais, torcidas organizadas e apoiadores do presidente e ocupou vários quarteirões da Avenida Paulista.
A campanha de Lula estimou mais de 1 milhão de pessoas, mas não houve contagem independente conclusiva. O Monitor do Debate Político da USP/Cebrap não conseguiu realizar sua estimativa porque não obteve autorização para sobrevoar a região com drones. O UOL registrou sete quarteirões lotados, enquanto a Folha relatou que, em determinado momento, a ocupação alcançou 12 quarteirões.
O caso agora coloca pressão sobre a Justiça Eleitoral para que demonstre se os mesmos critérios adotados contra o canal de Janones também serão aplicados ao grupo oficial de mobilização de Flávio Bolsonaro quando há desinformação comprovadamente publicada em seu interior.

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