Agora “apoiado” por Flávio Bolsonaro, fim da escala 6×1 já foi chamado de “populista” por sua coordenadora econômica

Agora “apoiado” por Flávio Bolsonaro, fim da escala 6×1 já foi chamado de “populista” por sua coordenadora econômica
Daniella Marques e Flávio Bolsonaro - Fotos: José Cruz/Agência Brasil e Fernando Frazão/Agência Brasil

A guinada de Flávio Bolsonaro (PL) sobre o fim da escala 6×1 contrasta diretamente com o discurso defendido há menos de dois meses por Daniella Marques, coordenadora econômica de sua campanha presidencial.
Em vídeo de 21 de agosto, durante o 25º Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro classificou a discussão sobre o fim da escala como um “debate populista, inócuo”.
A gravação ganha novo significado depois que Flávio anunciou, nesta terça-feira (13), que votará a favor da proposta que acaba com a escala 6×1, mudando a posição que vinha defendendo sobre o tema.
“A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6×1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6×1. Só que a gente defende algo ainda melhor”, afirmou o senador após visitar o pai, Jair Bolsonaro, em Brasília.
O que dizia a coordenadora econômica de Flávio
Em agosto, Daniella Marques defendia uma direção diferente. Para ela, o problema não estaria na escala 6×1, mas na falta de liberdade para que empregados e empregadores negociassem diretamente as condições de trabalho.
“É uma ficção dizer que está se concedendo alguma coisa enquanto quem produz não vai ter condição e vai ter um custo enorme em relação a isso”, afirmou.
https://x.com/delucca/status/2110184820315652123
A posição estava alinhada à agenda econômica defendida pela campanha de Flávio, baseada na flexibilização das relações de trabalho. A mudança de discurso do candidato acontece agora a 12 dias do segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que transformou o fim da escala 6×1 em uma das bandeiras de sua campanha à reeleição.
Apesar da guinada, a ideia de flexibilizar a jornada e permitir remuneração de acordo com as horas trabalhadas continua presente no entorno do candidato.
Depois da 6×1, salário por hora
Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro e estrategista ligado à campanha, deixou explícita essa linha ao comentar a mudança de posição de Flávio.
“Tem que votar pelo fim da 6×1 mesmo e demolir essa narrativa mentirosa do PT de destruição de direitos, Flávio Bolsonaro. Depois, AUMENTE os direitos do trabalhador ainda mais permitindo que ele trabalhe POR HORA como no mundo livre.”
“Uma coisa não anula a outra. Bora e foco!”, completou.
A proposta não aparece apenas no discurso de aliados. Flávio Bolsonaro está entre os signatários da PEC 12/2026, que prevê a possibilidade de um regime flexível com remuneração proporcional às horas trabalhadas.
Nesse modelo, férias, 13º salário, FGTS e outros direitos passam a acompanhar a remuneração efetivamente recebida. Sem a garantia de uma quantidade mínima de horas trabalhadas, o rendimento mensal também pode variar de acordo com a demanda do empregador.
A oscilação ainda pode atingir a Previdência: quando a contribuição mensal ao INSS fica abaixo do mínimo exigido, o trabalhador precisa regularizar a diferença para que aquele período seja integralmente considerado para fins previdenciários.
Assim, enquanto Flávio Bolsonaro muda o discurso sobre a escala 6×1 em plena reta final da eleição, o vídeo de sua própria coordenadora econômica e a defesa do trabalho por hora mostram que a agenda de flexibilização das relações trabalhistas continua presente no programa de seu grupo.

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