Flávio advogou durante campanha para cliente de amigo investigado pela PF, diz jornal

Flávio advogou durante campanha para cliente de amigo investigado pela PF, diz jornal
Flavio Bolsonaro - Flávio Bolsonaro/Foto: SERGIO LIMA/AFP

Flávio Bolsonaro (PL) continuou atuando como advogado durante a campanha presidencial e protocolou uma petição no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 14 de outubro, no mesmo dia em que participou de um comício em Porto Alegre e votou remotamente no Senado pelo fim da escala 6×1.
As informações são de reportagem da Folha de S.Paulo, publicada nesta sexta-feira (23). O processo envolve um empresário que também é representado por Willer Tomaz, amigo do candidato e investigado pela Polícia Federal.
A atuação profissional dos dois aparece em documentos judiciais examinados pela Folha. Flávio representa Mário Gadelha Simas Filho, envolvido em uma disputa entre sócios da Simas Industrial de Alimentos, uma das maiores fabricantes de balas e pirulitos do país.
O senador ingressou no processo em 2022, quando Willer já atuava na defesa do empresário. Embora a representação do advogado não tenha sido revogada, Flávio passou a assinar as petições apresentadas à Justiça.
O escritório do presidenciável recebeu R$ 3,3 milhões da Simas, segundo três notas fiscais emitidas entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024. A empresa aparece como seu segundo maior cliente.
A última manifestação de Flávio no processo ocorreu às 23h23 de 14 de outubro. O documento foi encaminhado à ministra Daniela Teixeira, relatora do caso no STJ, e pedia a rejeição de um recurso apresentado pela parte contrária.
Naquela data, o candidato cumpria agenda eleitoral no Rio Grande do Sul. Também registrou presença remota na sessão do Senado que analisou a proposta de encerramento da escala de trabalho 6×1.
A documentação acrescenta um novo elemento à relação entre Flávio e Willer, alvo de apurações da Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro.
Investigadores identificaram registros indicando que Flávio tinha acesso como “usuário master” a uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa ligada ao advogado. A exclusão desse acesso foi solicitada em maio de 2025.
O escritório do senador, criado em 2021, emitiu ao menos R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre janeiro de 2023 e julho de 2026, segundo levantamento divulgado pelo UOL.
A legislação permite que parlamentares exerçam a advocacia, observadas restrições relacionadas à atuação envolvendo determinados órgãos e entidades públicas.
Procurados pela Folha, Flávio e Willer não comentaram o processo. Em manifestações anteriores, ambos negaram irregularidades e afirmaram que sua relação se limita à amizade entre as famílias.

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