Presidência da Câmara: o que está em jogo e o que deve acontecer até as eleições

Presidência da Câmara: o que está em jogo e o que deve acontecer até as eleições
- Hugo Motta e Davi Alcolumbre (Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

A disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, hoje ocupada por Hugo Motta (Republicanos-PB), deve ocorrer em 1º de fevereiro de 2027, com a abertura da nova legislatura eleita este ano.
A composição da Casa tem o PL como maior bancada: foram 121 deputados federais eleitos em 2026; mas a indefinição acerca do nome para o cargo envolve articulações que ainda estão sendo construídas.
Motta pretende concorrer para continuar a gestão por mais dois anos, e já recebeu o apoio de partidos do Centrão e da esquerda (PT, PCdoB e PV), além do União Brasil.
A coalizão de apoio à permanência de Motta reunia cerca de 338 deputados até o início de novembro (são necessários, atualmente, 257 votos para a eleição em primeiro turno).
Uma ala do PL defende negociar com Motta para manter espaço na estrutura da Câmara, mas parte dos deputados do partido majoritário se opõe à continuidade da gestão e defende o lançamento de uma candidatura própria, aproveitando a proeminência nas casas legislativas. 
Outra força de oposição a Motta é o Partido Novo, que já anunciou o lançamento de um nome interno para as eleições. Entre os cogitados para representar o partido estão Marcel van Hattem (RS), Luiz Lima (RJ), Adriana Ventura (SP) e Jeffrey Chiquini (PR).
A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) também apresentou um projeto que pretende acabar com o voto secreto na eleição da Mesa Diretora.
Hoje, a escolha de cada deputado não é divulgada. O PRC 49/2026 propõe alterar os artigos 7º, 17 e 188 do Regimento Interno da Câmara para instituir o voto aberto na eleição do presidente e dos demais integrantes da Mesa Diretora da Câmara, de modo que seja possível saber como cada deputado votou. A justificativa é que a publicidade dos votos permitiria aos eleitores acompanhar as decisões de seus representantes e comparar os apoios anunciados pelos parlamentares com os votos registrados.
Quando Motta chegou à presidência, em 2025, foi eleito com 444 votos, contra 31 de Marcel van Hattem (Novo-RS) e 22 de Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ). O bloco de apoio reunia 17 partidos.
O presidente da Câmara tem papel central na definição da agenda do plenário e nas negociações com o governo, as alas partidárias e as bancadas. A Mesa Diretora coordena os trabalhos legislativos e também influencia a formação de blocos e comissões permanentes.
Quem já declarou apoio a Hugo Motta
A coalizão favorável à reeleição de Motta reúne partidos do Centrão e da esquerda.
Entre o Centrão e a centro-direita estão Republicanos, PSD, MDB, União Brasil, PP e Podemos, além das federações PSDB-Cidadania e Solidariedade-PRD.
Há também PSB, o PDT e a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.
Segundo o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), a decisão de apoiar Motta vem da necessidade de “ampliar a governabilidade” para o governo Lula 4 e avançar uma agenda legislativa defendida pelas três siglas.
O PL, que estuda lançar candidatura própria à presidência da Câmara, anunciou Rogério Marinho (PL-RN) para disputar a presidência do Senado. No dia 11 de novembro, os representantes do partido devem se reunir para discutir o lançamento da candidatura à Câmara.
Um grupo ligado ao presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, considera que a legenda deve negociar com Motta, mesmo que isso exija uma composição com partidos de esquerda, incluindo o PT.
Outra ala quer lançar um candidato próprio para mobilizar a bancada em torno de seu nome. Entre os parlamentares associados à defesa dessa estratégia está o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
Um dos principais focos da disputa é a CCJC (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania), que analisa a constitucionalidade e a juridicidade das propostas em tramitação na Casa e exerce papel central na organização do debate legislativo. Nikolas é apontado como interessado em presidir a comissão, o que poderia ser mais fácil com um presidente da Câmara alinhado ao partido.

Ver mais

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!