Quem é Rodrigo Pacheco e por que Alcolumbre pressiona por sua indicação ao STF

Quem é Rodrigo Pacheco e por que Alcolumbre pressiona por sua indicação ao STF
- Rodrigo Pacheco. Créditos: Roque de Sá/Agência Senado

O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que anunciou em maio o encerramento de seu ciclo na política eleitoral e assumiu em setembro uma cadeira no Tribunal de Contas da União (TCU), tem sido cotado para concorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) em vista da aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso.
Barroso, que deixou o cargo em outubro de 2025, abriu uma vaga permanente no Supremo. Antes de deixar a Corte, ele havia dado voto favorável à descriminalização do aborto em até 12 semanas de gestação durante uma sessão virtual; entidades religiosas e jurídicas pediram, em massa, a anulação do voto.
Naquele mesmo ano, Lula havia indicado o nome de Jorge Messias para a posição, mas o movimento sofreu derrota histórica no Senado, com rejeição de 42 votos (contra 34 favoráveis) em abril de 2026. Foi a primeira rejeição de um indicado ao STF em 132 anos.
Nas últimas semanas, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem voltado a falar no nome de Pacheco para aprovação pela Casa. A hipótese da indicação está em discussão.
Pacheco é advogado criminalista de formação e já foi deputado federal, senador e presidente do Senado e do Congresso Nacional por dois biênios consecutivos, entre 2021 e 2025.
Ele é visto por integrantes das Casas legislativas como “pragmático”, capaz de dialogar com diferentes grupos de interesse e com habilidade para a articulação política com o Judiciário.
Eleito deputado federal por Minas Gerais em 2014, assumiu o mandato em 2015 e presidiu a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), um dos colegiados mais importantes da Casa.
Chegou à presidência do Senado em fevereiro de 2021, apoiado por diferentes campos políticos, e foi reconduzido ao cargo em 2023, contra o candidato Rogério Marinho (PL-RN).
A presidência do Senado ocorreu em meio à pandemia de Covid-19, quando a Casa deliberava sobre medidas econômicas e fiscais de combate aos efeitos da crise sanitária, como a PEC Emergencial, que aprovou o auxílio emergencial às famílias.
Pacheco também teve papel importante na tramitação da PEC da Transição, aprovada no fim de 2022 para permitir despesas adicionais no Orçamento de 2023. A medida foi central para o governo Lula e permitiu a manutenção do valor de R$ 600 do Bolsa Família e a recomposição de despesas sociais.
Como presidente do Congresso Nacional, Pacheco ficou conhecido pela interlocução com o Supremo e com o Executivo e pelo respeito à Constituição. Durante sua presidência do Senado, arquivou o pedido de impeachment protocolado pelo então presidente Jair Bolsonaro contra o ministro Alexandre de Moraes, sob acusações de “crimes de responsabilidade” relacionadas à condução de inquéritos, como o que apurava a distribuição de notícias falsas pelo presidente. Pacheco afirmou que não levaria o pedido adiante por “falta de fundamento jurídico”.
Até 2025, a Casa continuou a receber denúncias e representações que pediam a abertura de processos por crimes de responsabilidade contra integrantes do Supremo. Pacheco, mesmo sofrendo duras críticas da ala bolsonarista, manteve uma posição moderada e defendeu que a abertura dessa espécie de processo não poderia ser determinada por pressões políticas.
A indicação de Pacheco ao Supremo é defendida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, desde a decisão de Lula pela indicação de Jorge Messias. Alcolumbre afirma que o ex-senador conhece e mantém relações com as diferentes bancadas da Casa, tem experiência e pode facilitar a construção de maiorias decisivas.
Isso vai ser especialmente relevante na próxima legislatura, que terá maioria do PL  nas Casas legislativas, o que pode tornar mais difícil a aprovação de nomes escolhidos pelo Executivo. A ideia de Alcolumbre é negociar a indicação de Pacheco antes da renovação parlamentar. A intenção é que a escolha seja feita ainda neste ano.
Lula já havia sinalizado, em outubro, o desejo (ainda não definitivo) de insistir em Messias como indicado para a vaga de Barroso, mas a base do governo quer evitar outra derrota e um desgaste ainda maior na relação com o Senado. Uma ala dos aliados, por sua vez, é favorável à indicação de Pacheco.
O ex-presidente do Senado e possível indicado ao STF ocupa, atualmente, a cadeira deixada por Bruno Dantas no Tribunal de Contas da União (TCU). Pacheco recusou-se a concorrer ao governo de Minas Gerais e optou por um cargo de natureza técnica.
A indicação para o tribunal de contas foi aprovada pelo Senado em 1º de setembro e pela Câmara dos Deputados no dia seguinte, com 404 votos favoráveis e 61 contrários, além de uma abstenção. Pacheco tomou posse no TCU em 30 de setembro.
Se indicado ao STF pelo presidente, Pacheco vai depender da aprovação da maioria absoluta do Senado Federal, com pelo menos 41 votos favoráveis. O indicado também é submetido a uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que vota o parecer sobre a indicação. Em seguida, o nome é submetido à votação no plenário do Senado, que ocorre de forma secreta.

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