Governador da Bahia diz que povo quer mudança na nova gestão Lula

Governador da Bahia diz que povo quer mudança na nova gestão Lula
Jerônimo Rodrigues, governador da Bahia - O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, em foto de arquivo (Thuane...

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), reeleito no primeiro turno, afirmou que a vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) não significa que a população esteja satisfeita com os rumos do país. Em entrevista à GloboNews, na noite de quarta-feira (4), o petista disse que as eleições de 2026 deixaram um recado claro: os brasileiros querem mudanças e esperam respostas concretas do presidente em seu quarto mandato.
Jerônimo fez uma distinção entre os resultados dos dois turnos. Para ele, a votação de 4 de outubro expressou o desejo de mudança de uma parcela do eleitorado. Já no segundo turno, os brasileiros optaram por Lula para conduzir esse processo.
“No primeiro turno, as urnas reivindicaram uma mudança. No segundo turno, o recado foi: queremos mudança, mas não é com o Flávio”, afirmou.
O governador também destacou o reconhecimento da liderança de Lula por setores importantes da sociedade. Segundo ele, o presidente foi identificado pelos eleitores como uma figura capaz de garantir equilíbrio político, mas isso não elimina a necessidade de avanços na nova gestão.
Governador da Bahia cobra atenção às ruas e às redes
Na avaliação do governador, o resultado eleitoral não pode ser analisado apenas pelos números das urnas. Jerônimo destacou a participação de jovens, idosos e professores nas mobilizações do segundo turno e chamou atenção para manifestações organizadas sem depender diretamente dos partidos políticos.
Ele defendeu que o governo procure entender por que esses grupos ocuparam as ruas e as redes sociais durante a campanha. Para Jerônimo, a mobilização popular apresentou reivindicações que precisam ser consideradas na definição das prioridades da próxima administração.
O governador também criticou a preocupação excessiva com a criação de marcas para identificar governos. Em vez de buscar um novo slogan para o quarto mandato, defendeu que Lula concentre esforços em medidas capazes de atender às expectativas da população.
Entre os desafios mencionados estão a geração de empregos, a renda dos trabalhadores, o poder de compra das famílias e a própria forma de conduzir a política. Jerônimo afirmou que, mesmo com programas de governo definidos, será necessário revisar prioridades e encontrar respostas para as demandas apresentadas pelos eleitores.
O recado tem peso político por partir de um dos principais aliados de Lula no Nordeste, região que novamente teve participação decisiva na vitória presidencial.
Virada de Lula ajuda a explicar avaliação do governador
Os resultados oficiais mostram a mudança no cenário eleitoral entre os dois turnos. Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 56,1 milhões de votos, ou 47,03% dos válidos. Lula ficou em segundo lugar, com 53,8 milhões, equivalentes a 45,16%.
No dia 25 de outubro, Lula reverteu a desvantagem e conquistou a reeleição com 64.256.232 votos, ou 51,79% dos válidos. Flávio terminou com 59.826.041 votos, equivalentes a 48,21%. A diferença foi de 4,43 milhões de votos, segundo os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A reação da campanha petista após o primeiro turno incluiu uma ofensiva para ampliar a participação popular. Conforme mostrou a Fórum, Lula escalou Guilherme Boulos para intensificar a mobilização de militantes em grandes cidades do Sul e do Sudeste, com ações de convencimento direto dos eleitores.
Na Bahia, Jerônimo conquistou a reeleição ainda no primeiro turno, com 4.623.659 votos, ou 55,79% dos válidos. Na disputa presidencial, Lula terminou o segundo turno com 71,31% dos votos válidos no estado, contra 28,69% de Flávio Bolsonaro.
O comparecimento às urnas também cresceu entre os dois turnos na Bahia. Foram 9 milhões de eleitores em 4 de outubro e 9,42 milhões em 25 de outubro, segundo a Justiça Eleitoral.
A cobrança feita por Jerônimo ocorre durante a preparação do quarto mandato de Lula, que começa em 5 de janeiro de 2027. Para o governador, o desafio é transformar a participação política registrada nas eleições em políticas públicas que produzam resultados, especialmente nas áreas de emprego, renda e consumo.

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