A personal trainer Vivi Lancelotti, que trabalhava em uma unidade da academia Up!, em Santos, no litoral de São Paulo, foi desligada da empresa após a repercussão de publicações nas redes sociais em que incentivava um boicote a comerciantes de esquerda. A profissional usou o Facebook para propor o levantamento de estabelecimentos conforme o posicionamento político de seus proprietários e convocou apoiadores da direita a priorizar negócios alinhados às próprias ideias.
Em uma das publicações, Vivi sugeriu a elaboração de listas para identificar comerciantes e prestadores de serviços de direita. “Vamos fazer as listas dos comerciantes prestadores de serviços que são de direita, assim não ofendemos os ‘alecrins dourados’”, escreveu.
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Em outra postagem, compartilhada nos dias seguintes ao segundo turno das eleições presidenciais, a personal trainer convocou pessoas alinhadas à direita a transformar o discurso político em ações de consumo.
“Chegou a hora de sairmos do discurso”, dizia a mensagem, que recomendava aos apoiadores verificar o posicionamento político de candidatos nas redes sociais antes de contratar serviços. O texto também defendia que deixassem de ser espectadores e passassem a fortalecer comerciantes que compartilhassem dos mesmos ideais.
Na terça-feira (27), Vivi publicou outra mensagem direcionada a empresários e comerciantes que votaram no PT. Na postagem, ela sugeriu que colocassem um adesivo com a sigla do partido na entrada dos próprios estabelecimentos e escreveu: “Mostre que você tem orgulho de quem elegeu”.
Academia recebe críticas de clientes
As publicações provocaram reações contra a personal trainer e levaram internautas a cobrar explicações da academia Up!, onde ela trabalhava. Entre as mensagens enviadas à empresa, clientes questionaram a presença de profissionais que defendem boicotes motivados por divergências políticas.
“Eu não tenho lado, nem votar eu votei. Mas não me matricularia em uma academia onde existem profissionais que exalam ódio e intolerância”, escreveu uma pessoa em comentário dirigido ao perfil da empresa.
Outra mensagem criticou diretamente a iniciativa da professora: “Que nojo ter uma professora fazendo boicote por política”.
Procurada, a academia confirmou o desligamento de Vivi Lancelotti, mas negou que a decisão tenha sido motivada pelas publicações sobre o boicote político.
Em nota, a empresa classificou a medida como uma decisão “operacional e interna” e afirmou que “contrata e dispensa colaboradores todos os anos”.
A Up! também declarou que possui funcionários com diferentes posições políticas e que respeita a liberdade de escolha de seus colaboradores. “Existem colaboradores que votaram em ambos espectros políticos”, informou a academia.
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